O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta sexta-feira (16), que o salário mínimo brasileiro era “muito baixo” e não cumpria a finalidade prevista quando foi criado. A declaração foi feita durante cerimônia que marcou os 90 anos do salário mínimo no Brasil, realizada na Casa da Moeda, no Rio de Janeiro.
Durante o evento, que também contou com o lançamento de medalhas comemorativas alusivas às nove décadas da política do piso nacional, Lula destacou que a celebração não teve como objetivo exaltar o valor atual do salário mínimo, mas reforçar a importância histórica da medida.
Segundo o presidente, o montante pago atualmente não atendia aos princípios que motivaram a criação do salário mínimo, como garantir condições básicas de moradia, alimentação, educação e mobilidade aos trabalhadores. Ele afirmou ainda que cabe ao governo e à sociedade defender melhorias no valor pago.
Lula também criticou argumentos contrários aos reajustes do piso salarial, lembrando que previsões de impactos negativos na economia costumam ser usadas para barrar aumentos. Para o presidente, esse tipo de resistência não se sustenta diante da desigualdade social existente no país.
Além do tema salarial, o presidente defendeu a produção nacional da moeda brasileira. Ele afirmou que a fabricação do dinheiro no próprio país representa um símbolo de soberania e valorização do trabalho nacional, ressaltando que um país não deveria depender do exterior para produzir sua própria moeda.
O reajuste do salário mínimo de 2026 entrou em vigor em 1º de janeiro. O novo valor foi fixado em R$ 1.621, o que representou um aumento de R$ 103, equivalente a 6,79%, em relação ao piso anterior, que era de R$ 1.518.
De acordo com estimativas do governo federal, o novo salário mínimo deverá gerar um impacto de R$ 82 bilhões na economia ao longo de 2026. A política beneficia diretamente cerca de 62,3 milhões de pessoas, incluindo 29,4 milhões de aposentados e pensionistas que recebem benefícios vinculados ao piso nacional.
O salário mínimo foi criado em 1936, por meio da Lei nº 185, durante o governo de Getúlio Vargas, como resposta às condições precárias de trabalho existentes à época, marcadas por longas jornadas e baixos salários.





