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Cade aprova fusão entre Petz e Cobasi com exigência de desinvestimento

Acordo firmado com o órgão antitruste condiciona união das redes à venda de ativos, principalmente em São Paulo; novo grupo terá faturamento estimado em R$ 7 bilhões.
Por Redação
12 de dezembro de 2025 - 9:47 AM

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou, nesta quarta feira (10), a fusão entre as redes de pet shop Petz e Cobasi. A autorização foi condicionada à assinatura de um Acordo em Controle de Concentração (ACC), que prevê o desinvestimento de ativos e a adoção de medidas comportamentais para preservar a concorrência no setor.

Com a operação, as duas empresas passam a formar um grupo com faturamento combinado em torno de R$ 7 bilhões. O principal remédio imposto pelo Cade envolve a venda de lojas, especialmente no estado de São Paulo, onde há maior sobreposição entre as operações das duas redes. Outros compromissos de natureza comportamental também foram acordados, mas ainda não foram detalhados publicamente.

A decisão seguiu o voto do conselheiro relator, José Levi Mello do Amaral Jr., acompanhado pela maioria do plenário. Para ele, o acordo construído pode resultar em um ambiente concorrencial mais favorável do que o atual.

“Pode não ser perfeito, mas o ótimo é inimigo do bom. Nesse sentido, o ACC me parece adequado”, afirmou durante o julgamento.

A análise da fusão tramita no Cade desde meados de 2024. No processo, a Petlove, terceira maior empresa do setor no país, atuou como terceira interessada e chegou a defender a reprovação da operação, embora tenha flexibilizado sua posição nas últimas semanas. Além dela, ao menos outra empresa demonstrou interesse na aquisição dos ativos que serão desinvestidos.

O entendimento do tribunal do Cade divergiu da avaliação da Superintendência Geral, área técnica do órgão, que havia aprovado a operação sem restrições em junho deste ano. Um recurso levou o caso ao plenário, que também realizou audiência pública em outubro, com participação de representantes do governo, do Legislativo, de entidades de defesa da concorrência e de proteção animal, além das empresas envolvidas.

O presidente do Cade, Gustavo Augusto Freitas de Lima, também acompanhou o voto do relator e avaliou que o pacote negociado foi equilibrado.

“Há não apenas remédios estruturais, mas também um conjunto robusto de medidas comportamentais”, destacou.

A única divergência partiu da conselheira Camila Cabral, que criticou aspectos metodológicos dos estudos econômicos utilizados na análise. Segundo ela, mesmo com os ajustes previstos no acordo, ainda permanecem riscos concorrenciais relevantes.

A fusão entre Petz e Cobasi deve impactar o mercado nacional de produtos e serviços para animais de estimação, setor que também tem forte presença em cidades do interior paulista, como Piracicaba, onde o consumo pet cresce de forma consistente nos últimos anos.