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Argentina de Milei ganha fôlego externo com ajuste fiscal, mas desafios persistem

Redução da dívida e desaceleração da inflação melhoram a avaliação de investidores, enquanto riscos sociais, cambiais e políticos seguem no radar
Por Redação
30 de janeiro de 2026 - 2:18 PM

O presidente Javier Milei chega à segunda metade de seu mandato com avanços relevantes na agenda econômica que prometeu ao assumir a Casa Rosada, em dezembro de 2023. O ajuste fiscal rigoroso, simbolizado pelo discurso de “motosserra” contra gastos públicos, ajudou a reduzir a dívida, controlar a inflação e melhorar a percepção da Argentina no exterior, segundo economistas ouvidos pela CNN Brasil.

Após anos de déficits recorrentes, o país registrou superávit financeiro em 2024, o primeiro em 14 anos, e voltou a apresentar resultado positivo em 2025, superando inclusive metas acordadas com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Como consequência, a dívida pública caiu de 155,7% do PIB em 2023 para patamares próximos de 78% ao longo de 2025.

Esse movimento reforçou a confiança de organismos internacionais. O Banco Mundial anunciou, em 2025, pacotes de apoio que somam US$ 16 bilhões e destacou confiança nas reformas voltadas à modernização econômica e à atração de investimentos. Analistas avaliam que, mantido o cenário, a Argentina pode voltar ao mercado internacional de capitais ainda neste ano.

Além do ajuste nas contas públicas, a inflação, um dos principais problemas históricos do país, perdeu força. Após atingir picos mensais superiores a 25% no fim de 2023, o índice desacelerou ao longo de 2024 e 2025, encerrando o último ano com inflação anual em torno de 31,5%. Para especialistas, o controle dos preços está diretamente ligado ao fim do financiamento do déficit por emissão monetária e a uma política fiscal mais dura.

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Apesar dos indicadores positivos, economistas alertam para fragilidades. Mais da metade da dívida argentina segue atrelada a moedas estrangeiras, o que aumenta a vulnerabilidade a choques externos e variações cambiais. As reservas internacionais ainda são limitadas, e o processo de liberalização do câmbio avança com cautela, sem plena consolidação.

No plano social, o custo do ajuste também pesa. Congelamento de aposentadorias, cortes em transferências a províncias e redução de recursos para áreas como saúde, educação, ciência e universidades levantam questionamentos sobre a sustentabilidade política das reformas. Embora o governo destaque a manutenção e até a ampliação de alguns programas sociais, analistas avaliam que o ajuste tem caráter regressivo.

O cenário político adiciona outra camada de incerteza. Milei mantém apoio relevante, mas derrotas regionais em 2025 mostraram que a reeleição em 2027 não está garantida. Uma eventual guinada política poderia reverter expectativas e pressionar novamente o risco-país.

Para especialistas, o desafio agora é transformar a estabilidade inicial em crescimento sustentado. “Enquanto a economia conseguir crescer, haverá espaço para reduzir pobreza e tensões sociais”, avaliam. O equilíbrio entre disciplina fiscal, retomada da atividade e maior previsibilidade cambial será decisivo para definir se a melhora na percepção externa da Argentina se consolidará nos próximos anos.

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