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Número de jovens que não estudam nem trabalham cai no Brasil, aponta OCDE

Percentual passou de 26,8% para 22,4% entre 2016 e 2024, mas relatório aponta desafios na conclusão do ensino médio e no acesso ao ensino superior
Por: Redação
13 de outubro de 2026 - 9:01 AM

O percentual de jovens brasileiros entre 18 e 24 anos que não estudam, não trabalham e não participam de atividades de formação profissional caiu de 26,8%, em 2016, para 22,4%, em 2024. Os dados fazem parte do relatório Panorama da Educação 2026, divulgado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

A redução foi de 4,4 pontos percentuais em oito anos. Apesar do avanço, mais de um em cada cinco jovens brasileiros nessa faixa etária ainda estava fora do mercado de trabalho e das atividades educacionais em 2024.

O levantamento foi apresentado pela Agência Brasil em reportagem publicada em 30 de setembro de 2026.

Redução supera média registrada pela OCDE
Segundo o Ministério da Educação (MEC), a queda de 4,4 pontos percentuais observada no Brasil foi quase o dobro da redução média de 2,3 pontos registrada pela OCDE no mesmo período.

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O resultado indica uma diminuição na proporção de jovens que não participam de atividades educacionais ou profissionais.

Entretanto, especialistas alertam que o país ainda enfrenta dificuldades para garantir a permanência dos estudantes na escola e a transição para o mercado de trabalho.

Para Ricardo Henriques, superintendente executivo do Instituto Unibanco, os avanços são importantes, mas insuficientes.

“A tarefa é construir uma trajetória em que o jovem consiga permanecer, aprender, concluir a formação e encontrar uma inserção profissional digna. Isso depende de educação, proteção social e políticas de trabalho atuando de forma articulada”, afirmou.

Mais brasileiros concluem o ensino médio
O relatório também identificou uma redução na proporção de brasileiros entre 25 e 34 anos que não concluíram o ensino médio.

Em 2016, esse grupo representava 35% da população nessa faixa etária. Em 2024, o percentual caiu para 26%.

Apesar da melhora, o índice brasileiro ainda é superior à média de 12% registrada entre os países da OCDE.

O MEC relaciona os avanços educacionais a políticas públicas de permanência escolar e proteção social, como o programa Pé-de-Meia e o Bolsa Família.

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Essa associação apresentada pelo ministério, no entanto, não significa que o levantamento tenha medido isoladamente o impacto de cada programa sobre os resultados.

Abandono escolar ainda preocupa
Outro dado apresentado pela OCDE revela que 20% dos estudantes que ingressam no ensino médio no Brasil deixam a escola sem concluir essa etapa.

O levantamento também mostra que 79% dos novos alunos conseguem finalizar o ensino médio dentro do prazo regular ou até dois anos depois.

A média de conclusão observada nos países analisados é de 85%.

Entre os estudantes que ultrapassam esse período, apenas 1% continua matriculado tentando concluir a formação, segundo o relatório.

Os números reforçam a importância de políticas de acompanhamento escolar e de ações voltadas à prevenção do abandono.

Mulheres apresentam maior probabilidade de conclusão
O relatório também destaca diferenças entre homens e mulheres na conclusão do ensino médio.

No Brasil, as mulheres apresentam uma probabilidade de concluir essa etapa sete pontos percentuais maior do que a registrada entre os homens.

A diferença é superior à observada na maioria dos países com informações disponíveis no levantamento.

Ensino superior ainda alcança parcela reduzida da população
Quando o assunto é formação universitária, o Brasil também apresenta resultados inferiores à média internacional.

Em 2024, 22% dos brasileiros entre 25 e 64 anos possuíam ensino superior completo.

Nos países da OCDE, a média era de 43%.

Para Ricardo Henriques, essa diferença está relacionada a desafios históricos da educação brasileira e exige medidas que facilitem o ingresso e a permanência dos estudantes na universidade.

Entre as possibilidades estão a ampliação de cursos flexíveis, o apoio financeiro e a integração entre a formação técnica e acadêmica.

“A expansão do acesso ao ensino superior precisa vir acompanhada de qualidade e de políticas de permanência, especialmente para quem enfrenta dificuldades para conciliar estudo, trabalho e responsabilidades familiares”, destacou.

Transição entre ensino fundamental e médio exige atenção
A passagem do ensino fundamental para o ensino médio também aparece como um momento importante na trajetória dos estudantes.

De acordo com a OCDE, um ano após a conclusão prevista dos anos finais do ensino fundamental no Brasil:

87% dos alunos avançam para o ensino médio;
4% repetem o último ano do ensino fundamental;
8% deixam o sistema formal de ensino.

O percentual de saída do sistema educacional supera a média de 5% registrada entre os 22 países e economias com dados disponíveis sobre essa etapa.

Especialistas recomendam o acompanhamento da frequência escolar, a identificação precoce de dificuldades de aprendizagem e o fortalecimento do diálogo entre escolas e famílias.

O que os dados representam para Piracicaba?
Embora os números sejam nacionais, os desafios apresentados pela OCDE também ajudam a compreender a importância das oportunidades de formação para jovens de Piracicaba.

A permanência na escola, a conclusão do ensino médio e o acesso a cursos técnicos ou superiores são etapas relevantes para a entrada no mercado de trabalho.

Instituições de ensino e programas de qualificação disponíveis no município podem contribuir para ampliar essas oportunidades.

No entanto, o relatório apresentado não traz dados específicos sobre a proporção de jovens de Piracicaba que não estudam nem trabalham. Por isso, o índice nacional de 22,4% não deve ser utilizado como se representasse diretamente a realidade da cidade.

O levantamento aponta que o Brasil avançou na redução do número de jovens fora da educação e do trabalho, mas ainda precisa enfrentar dificuldades relacionadas ao abandono escolar e ao acesso à formação superior.

Fonte: Agência Brasil, com dados do relatório Panorama da Educação 2026, da OCDE.