A Agência Quarter, empresa que mantém contratos de terceirização de mão de obra com a Prefeitura de São Paulo por meio da São Paulo Turismo (SPTuris), é alvo de investigação do Ministério Público do Trabalho (MPT). A apuração envolve suspeitas sobre o modelo de contratação de profissionais que atuam nas secretarias municipais, especialmente Cultura e Turismo.
Segundo informações divulgadas em coluna do portal Metrópoles, a Quarter e a DKS, empresas ligadas aos mesmos proprietários, receberam ao menos R$ 357 milhões entre 2020 e 2024 para fornecimento de mão de obra terceirizada. Apenas a Quarter possui mais de R$ 178 milhões em contratos vigentes.
Modelo de contratação
De acordo com a investigação, as secretarias contratam a SPTuris, que por sua vez firma acordos com empresas como Quarter e DKS. Essas empresas ficam responsáveis por disponibilizar profissionais para atuação em eventos e atividades das pastas municipais.
O MPT apura possível irregularidade na chamada “quinterização”, quando há múltiplos níveis de intermediação até a contratação do trabalhador. Depoimentos colhidos no inquérito apontam que, em alguns casos, profissionais atuariam de forma contínua dentro das secretarias, com características semelhantes às de vínculo empregatício, embora contratados como pessoa jurídica.
Transparência e prestação de contas
Outro ponto sob análise envolve a transparência dos contratos. Conforme a publicação, em determinados casos as prestações de contas incluem apenas notas fiscais globais, sem detalhamento nominal dos profissionais ou das atividades exercidas.
A Prefeitura de São Paulo informou que não mantém mais contrato com a empresa DKS desde setembro de 2025 e que os serviços contratados tratam de fornecimento de mão de obra eventual para eventos específicos. A administração municipal afirmou ainda que o prefeito determinou a abertura de processo investigatório na Controladoria Geral do Município para apurar as denúncias.
Já a Quarter declarou que atua dentro da legalidade, que adota estrutura formal de governança e que cumpre as exigências previstas na legislação de contratações públicas. A empresa afirmou que informações trabalhistas e previdenciárias permanecem disponíveis aos órgãos fiscalizadores e que dados individuais são protegidos pela Lei Geral de Proteção de Dados.
Investigação em andamento
O inquérito do Ministério Público do Trabalho segue em curso. O órgão apura se houve irregularidade na forma de contratação e na eventual caracterização de vínculo empregatício.
Até o momento, não há decisão judicial definitiva sobre o caso. As partes envolvidas afirmam colaborar com as investigações.





