Minas Gerais iniciou um movimento estratégico para ampliar a produção de cacau e se posicionar como novo polo da cultura no país. Atualmente na 10ª posição do ranking nacional, o estado pretende expandir a área plantada, hoje em cerca de 480 hectares, com foco no Norte mineiro.
A proposta envolve o uso de tecnologia, pesquisa científica e adaptação do cultivo às condições do semiárido, como altas temperaturas e baixa umidade, com apoio de sistemas de irrigação.
Produção adaptada ao semiárido
De acordo com a Secretaria de Agricultura de Minas Gerais, uma das estratégias é o uso de sistemas agroflorestais, com o cultivo de cacau consorciado com bananeiras, que ajudam a garantir sombreamento e umidade para o desenvolvimento das plantas.
Além disso, a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais iniciará, a partir de abril de 2026, testes em áreas experimentais nos campos de Mocambinho e Gorutuba. O objetivo é avaliar o cultivo do cacau em condições não tradicionais, incluindo o plantio a pleno sol e com proteção parcial.
Pesquisa e inovação
O estado também passou a integrar o Centro Tecnológico de Cacau e Cultura de Regiões não Tradicionais, em parceria com universidades federais, como a de Viçosa e a de Lavras. A iniciativa busca acelerar o desenvolvimento técnico da cultura em regiões fora do padrão histórico de cultivo.
Outro avanço foi a produção do primeiro chocolate feito exclusivamente com amêndoas cultivadas no Norte de Minas, em experimento conduzido por pesquisadores da Unimontes.
Impacto econômico e social
Segundo a Emater-MG, o cultivo do cacau já apresenta impacto relevante. Cada hectare pode gerar dois empregos diretos e quatro indiretos.
O município de Jaíba lidera a produção estadual, concentrando mais da metade da área plantada, seguido por cidades como Janaúba, Bandeira e Matias Cardoso.
Em 2025, Minas Gerais exportou cerca de 7 mil toneladas de produtos derivados do cacau, incluindo chocolate e manteiga, com receita de US$ 64,9 milhões.
Próximos desafios
O principal desafio do estado é ampliar a produção local da matéria-prima para abastecer a indústria de chocolates, reduzindo a dependência de estados como Pará e Bahia, que lideram o setor no Brasil.
A estratégia também envolve agregar valor à cadeia produtiva, com foco na verticalização da produção e no fortalecimento da indústria regional.





