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Fim da taxa das blusinhas pode reduzir demanda e pressionar preços do algodão

Setor têxtil avalia que possível fim da tributação sobre compras internacionais pode afetar produção nacional e cadeia do algodão
Por Redação
12 de maio de 2026 - 10:37 AM

O possível fim da chamada “taxa das blusinhas”, aplicada sobre compras internacionais de pequeno valor, pode provocar queda na demanda doméstica por algodão e pressionar os preços da pluma no Brasil. A avaliação é de representantes do setor têxtil e do agronegócio.

Atualmente, cerca de um terço da produção brasileira de algodão permanece no mercado interno para abastecer a indústria nacional de tecidos e confecções.

Setor teme avanço de produtos importados
Segundo Márcio Portocarrero, da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão, o fim da tributação pode estimular o aumento das compras de roupas importadas produzidas fora do país.

Para o setor, isso reduziria a produção da indústria têxtil brasileira e, consequentemente, diminuiria o consumo interno de algodão.

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Caso a demanda nacional recue, produtores podem ampliar a busca por mercados internacionais para absorver o excedente da produção brasileira.

Queda no consumo pode afetar preços
Representantes do agro afirmam que uma redução do consumo interno também pode gerar pressão negativa sobre os preços do algodão em pluma.

Segundo o setor, produtores já enfrentam margens apertadas e uma eventual desvalorização da commodity poderia até provocar redução de áreas plantadas nos próximos ciclos.

Indústria têxtil critica possível revogação
A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção também se posicionou contra o possível fim da taxa.

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O programa Remessa Conforme atualmente aplica imposto de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 e de 60% para encomendas entre US$ 50,01 e US$ 3 mil.

Segundo Fernando Pimentel, o crescimento das importações de produtos prontos pode enfraquecer a produção nacional e reduzir a demanda por algodão brasileiro.

Setor defende produção nacional
Para a indústria, transformar o algodão em fios, tecidos e roupas dentro do Brasil gera mais empregos, renda e arrecadação do que apenas exportar matéria prima.

Dados da Abrapa apontam que o setor têxtil e de confecção movimenta cerca de R$ 221 bilhões por ano e emprega mais de 1,3 milhão de pessoas em aproximadamente 25 mil empresas no país.

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Mesmo com a tributação atual, as importações do setor ainda somam cerca de US$ 6,6 bilhões anuais.

Governo ainda discute medida
A manutenção da taxa é defendida pelo vice presidente Geraldo Alckmin, que afirma que a cobrança ajuda a proteger a indústria nacional de produtos de baixo valor.

Já o Ministério da Fazenda segue avaliando possíveis mudanças no programa e os impactos sobre o varejo, arrecadação e competitividade da economia brasileira.

Pesquisa divulgada pela AtlasIntel em parceria com a Bloomberg apontou recentemente que a “taxa das blusinhas” é vista por parte da população como uma das medidas mais impopulares do governo federal.