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Do Amapá a Piracicaba: tecnologia transforma o campo e aproxima diferentes fronteiras do agro brasileiro

Amapá Agro Summit reúne produtores, pesquisadores e empresas em torno de inovação, produção sustentável e novas tecnologias, temas que também movimentam o ecossistema AgTech de Piracicaba
Por: Redação
15 de agosto de 2026 - 8:20 AM

A transformação digital do agronegócio já não está concentrada apenas nas regiões tradicionalmente associadas à produção agrícola brasileira. No extremo Norte do país, o Amapá Agro Summit 2026 coloca tecnologia, pesquisa, capacitação e sustentabilidade no centro das discussões sobre o futuro da produção rural.

Realizado dentro da programação da Expofeira do Amapá, no Parque de Exposições da Fazendinha, em Macapá, o encontro chega à segunda edição com uma programação ampliada e reúne produtores rurais, pesquisadores, estudantes, empresas, startups e especialistas.

Embora mais de 2,5 mil quilômetros separem Macapá de Piracicaba em linha reta, os desafios debatidos no evento têm pontos em comum com aqueles enfrentados pelo setor produtivo paulista: produzir mais, incorporar tecnologia, melhorar a gestão das propriedades e encontrar modelos economicamente viáveis que conciliem produtividade e sustentabilidade.

E essa conexão torna o evento relevante também para uma cidade como Piracicaba, que desenvolveu nas últimas décadas um dos principais ambientes brasileiros de pesquisa e inovação voltados ao campo.

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Tecnologia chega a diferentes cadeias produtivas
O Amapá Agro Summit dedica sua programação às características da produção regional.

Entre os assuntos previstos estão tecnologias e conhecimento aplicados ao açaí, café, abacaxi e cupuaçu, além de pecuária, piscicultura, apicultura, avicultura e suinocultura.

Também entram no debate temas como melhoramento genético, gestão do solo, irrigação e novas formas de utilização das culturas produzidas na região.

Uma das novidades anunciadas para a edição de 2026 é o Circuito Agro Summit, iniciativa que leva pesquisadores e palestrantes para propriedades rurais. A intenção é aproximar o conteúdo apresentado durante as discussões da realidade encontrada pelos produtores no campo.

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O formato mostra uma mudança importante na maneira como a inovação agrícola vem sendo difundida: tecnologia não significa apenas máquinas cada vez maiores ou mais sofisticadas. Passa também por dados, gestão, genética, monitoramento, conhecimento científico e capacidade de transformar pesquisa em solução aplicável à propriedade rural.

Startups entram no campo
A inovação empresarial também ganhou espaço nesta edição.

A programação foi estruturada para aproximar startups, empresas e produtores, colocando soluções tecnológicas diante de problemas concretos encontrados nas propriedades.

A abertura oficial do Agro Summit foi programada com um Startup Day, enquanto a programação técnica avançou sobre diferentes cadeias produtivas do estado.

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A estratégia acompanha um movimento observado em outras regiões do Brasil: aproximar pesquisadores, empreendedores e produtores para reduzir a distância entre uma tecnologia desenvolvida dentro de universidades ou empresas e sua utilização efetiva no campo.

Embrapa leva ciência para dentro da Expofeira
A pesquisa científica também ocupa espaço importante na Expofeira.

A participação da Embrapa amplia o caráter técnico da programação, levando conhecimento diretamente ao público ligado à produção rural. A aproximação entre pesquisa e produtor é especialmente relevante em uma região marcada por condições ambientais e cadeias produtivas próprias da Amazônia.

É justamente nesse contexto que culturas como açaí, cupuaçu, café e abacaxi passam a ser discutidas não somente como produtos agrícolas, mas também sob a perspectiva de tecnologia, agregação de valor e desenvolvimento regional.

Mulheres ganham espaço nas discussões sobre o agro
Outro eixo do Amapá Agro Summit é a participação feminina.

O encerramento da programação técnica terá atividades voltadas ao Agromulheres, reunindo produtoras rurais, pecuaristas, empreendedoras, escritoras e profissionais do setor.

As discussões incluem liderança, empreendedorismo, comunicação e participação feminina nas cadeias produtivas.

A presença das mulheres aparece, portanto, não como uma programação paralela ao agronegócio, mas dentro das discussões sobre gestão, produção e desenvolvimento do setor.

Piracicaba vive transformação semelhante
A milhares de quilômetros do Amapá, Piracicaba apresenta um exemplo consolidado dessa aproximação entre agricultura, ciência e tecnologia.

A presença da Esalq USP, da EsalqTec, de empresas, cooperativas, pesquisadores e ambientes privados de inovação ajudou a formar na cidade um ecossistema direcionado ao desenvolvimento de soluções para o agronegócio.

O próprio Parque Tecnológico de Piracicaba reúne instituições de ensino e pesquisa e ambientes de inovação ligados ao setor, incluindo EsalqTec, Avance Hub, AgTech Innovation, Inova Park, Gazebo e Pecege Innovation Office.

Em julho, por exemplo, Piracicaba recebeu a 12ª edição do Simpósio Tecnologia de Produção de Cana de Açúcar, que reuniu cerca de 800 pesquisadores, consultores, produtores, estudantes e representantes de empresas para discutir inovação e os desafios da cadeia sucroenergética.

Também neste ano, o Instituto Pecege recebeu um encontro internacional realizado em parceria com a Esalq USP e a University of Illinois Urbana Champaign para discutir o futuro das cadeias de suprimentos do agronegócio e dos biocombustíveis.

Diferentes regiões, um mesmo desafio
A comparação não significa que o agronegócio do Amapá e o de Piracicaba sejam iguais.

São territórios com dimensões, culturas, condições ambientais, infraestrutura e características econômicas diferentes. É justamente essa diferença que torna o movimento relevante.

Enquanto Piracicaba possui forte tradição na cana de açúcar e no setor sucroenergético, além de um ecossistema tecnológico desenvolvido ao redor das ciências agrárias, o Amapá procura ampliar conhecimento, produtividade e agregação de valor em cadeias ligadas às características amazônicas.

O ponto de encontro está na tecnologia.

Do monitoramento das propriedades à genética, da gestão de dados à formação dos produtores, eventos como o Amapá Agro Summit mostram que a inovação deixou de ser uma discussão restrita aos grandes centros agrícolas.

Em diferentes pontos do Brasil, o campo passa por uma mesma transformação: produzir melhor dependerá cada vez mais da capacidade de conectar ciência, tecnologia, sustentabilidade e conhecimento à realidade de quem produz.