Os ataques de Estados Unidos e Israel ao Irã, registrados neste sábado, dia 28, levantam preocupações no agronegócio brasileiro quanto a possíveis impactos no comércio bilateral. Especialistas avaliam que uma escalada do conflito pode provocar entraves logísticos e afetar o fluxo de exportações e importações entre os dois países.
Em 2025, o Brasil exportou quase US$ 3 bilhões em produtos agropecuários ao Irã. O principal destaque foi o milho. Dados do Ministério da Agricultura indicam que o país do Oriente Médio foi o maior comprador do cereal brasileiro no ano passado, com 9 milhões de toneladas adquiridas, volume equivalente a cerca de 23% de tudo o que o Brasil exportou.
O milho brasileiro abastece principalmente a indústria iraniana de produção de frango, uma das maiores da Ásia.
Dependência de insumos
A relação comercial não se limita às exportações. O Irã também é fornecedor importante de ureia para o mercado brasileiro. O insumo é utilizado na fabricação de fertilizantes nitrogenados, fundamentais para culturas como milho, soja e cana de açúcar.
Qualquer interrupção no fornecimento pode pressionar custos de produção no campo, sobretudo em um cenário já marcado por volatilidade internacional de insumos.
Riscos logísticos e custos
Analistas apontam que o principal risco imediato envolve a logística marítima na região do Oriente Médio. Eventuais bloqueios ou restrições de navegação podem elevar fretes e seguros, refletindo nos custos das operações comerciais.
No curto prazo, a combinação de incerteza geopolítica e possível aumento nos preços de fertilizantes pode impactar as margens do produtor brasileiro.
O setor acompanha os desdobramentos diplomáticos e militares, atento à estabilidade das rotas comerciais e ao comportamento do mercado internacional de commodities.





