As fortes chuvas que atingem a Argentina podem provocar mudanças no mercado de importação de cebolas no Brasil. Segundo pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq USP, os alagamentos no país vizinho afetaram diretamente o volume e a qualidade das colheitas destinadas à exportação.
A Argentina é hoje o principal fornecedor de cebolas para o Brasil, responsável por cerca de 73% das importações. No entanto, diante das perdas recentes, o Chile pode ampliar sua participação no mercado brasileiro, ocupando parte desse espaço no curto prazo.
Dados do Cepea indicam que o Brasil importou pouco mais de 23 mil toneladas de cebola em março, volume 22,5% maior do que no mesmo período do ano passado. A tendência é de crescimento nas próximas semanas, período em que a oferta interna diminui e a qualidade da produção nacional também pode cair.
Além das dificuldades na Argentina, a produção brasileira também enfrenta desafios. Regiões produtoras do Nordeste, como Irecê (BA) e o Vale do São Francisco, registraram queda na qualidade da safra devido ao excesso de chuvas entre fevereiro e março, o que elevou o descarte e pressionou os preços.
No início de abril, a saca de cebola chegou a R$ 80 em Irecê e a R$ 85 no Vale do São Francisco, refletindo o cenário de menor oferta e aumento da demanda.
Diante desse contexto, o mercado brasileiro pode passar por uma reconfiguração temporária no fornecimento do produto, com maior presença de cebolas chilenas enquanto persistirem os impactos climáticos na Argentina.





