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Brasil atinge metade da cota de carne bovina na China e setor teme tarifa de 55%

Volume exportado pelo país já alcançou 50% do limite anual previsto pelo mecanismo chinês de salvaguarda e setor avalia que cota pode acabar em junho
Por Redação
11 de maio de 2026 - 8:44 AM

O governo da China informou neste domingo (10) que as importações de carne bovina brasileira atingiram 50% da cota anual estabelecida para 2026 no mecanismo de salvaguarda comercial. Com isso, cresce a preocupação entre exportadores brasileiros diante da possibilidade de aplicação de uma tarifa extra de 55% sobre o produto.

A marca foi alcançada oficialmente no sábado (9). O limite total definido pela China é de 1,1 milhão de toneladas. Assim que a cota for totalmente preenchida, a sobretaxa passa a valer três dias depois.

O Brasil é o segundo grande fornecedor a atingir metade do volume permitido neste ano. A Austrália já havia alcançado esse patamar em março.

Divergência nos números preocupa setor
Apesar do dado oficial divulgado por Pequim indicar preenchimento de 50% da cota, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) afirma que o volume real exportado pode já ter ultrapassado 65%.

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A diferença ocorre devido ao chamado transit time, período de cerca de 45 dias necessário para o transporte marítimo entre Brasil e China. Na prática, parte da carne já embarcada ainda não aparece nos registros chineses de importação.

Segundo o presidente da Abiec, Roberto Perosa, a expectativa é de que a cota seja totalmente esgotada nas próximas semanas.

“Acreditamos que entre 15 de maio e 15 de junho os frigoríficos brasileiros deverão encerrar progressivamente os abates destinados à China”, afirmou.

Tarifa pode reduzir exportações
A preocupação do setor é que a sobretaxa de 55% torne as vendas brasileiras menos competitivas no mercado chinês.

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A Abiec projeta que, caso não haja flexibilização por parte do governo chinês, o Brasil poderá enfrentar queda de até 10% nas exportações totais de carne bovina no segundo semestre.

Segundo a entidade, atualmente não existe outro mercado com capacidade imediata para absorver o volume destinado à China.

Uma comitiva da associação está em viagem ao país asiático para negociar com compradores e buscar diálogo com autoridades chinesas sobre os limites da cota.

Exportações seguem em alta em 2026
Apesar do cenário de alerta, o desempenho das exportações brasileiras segue forte neste início de ano.

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No primeiro quadrimestre de 2026, o Brasil embarcou 1,091 milhão de toneladas de carne bovina, crescimento de 14,6% em relação ao mesmo período de 2025.

A China respondeu por 43,5% do volume exportado e por 45% do faturamento do setor, somando US$ 2,724 bilhões.

Enquanto Brasil, Argentina e Austrália aceleram as exportações, os Estados Unidos seguem com participação reduzida, preenchendo menos de 1% de sua cota anual de 164 mil toneladas.