Um estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV) apontou que o setor de biocombustíveis tem potencial para adicionar até R$ 403,2 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil entre 2030 e 2035. A pesquisa foi conduzida pelo Observatório de Bioeconomia da FGV, com apoio do Instituto Equilíbrio e da Agni.
O levantamento analisou os impactos econômicos, sociais e ambientais das tecnologias previstas no Plano ABC+, programa voltado à agricultura de baixa emissão de carbono. A estimativa considera a produção de 64 bilhões de litros de biocombustíveis no período, incluindo etanol de cana de açúcar, etanol de milho, etanol de segunda geração e biodiesel.
Setor pode gerar retorno elevado
Segundo o estudo, cada R$ 1 investido em biocombustíveis pode gerar retorno de até R$ 62 para a economia brasileira.
O pesquisador Cícero Lima, responsável pela análise, afirmou que a bioenergia vai além de uma alternativa energética e se consolida como um motor de crescimento econômico.
A projeção indica impacto anual de 0,61% no PIB, o equivalente a cerca de R$ 71,4 bilhões por ano. O avanço também pode ampliar em aproximadamente 70% o tamanho atual do segmento.
Entre os setores mais beneficiados aparecem o transporte, com crescimento estimado de 8,1%, a indústria de transformação, com alta de 6,4%, e a agropecuária, com avanço de 3,5%.
Empregos e redução de emissões
Além do impacto econômico, o estudo destaca efeitos sociais e ambientais da expansão dos biocombustíveis.
A expectativa é de criação de cerca de 225,5 mil empregos, principalmente na agropecuária e na agroindústria, com reflexos também no comércio e nos serviços em cidades do interior.
Na área ambiental, a substituição de combustíveis fósseis pode evitar a emissão de até 27,6 milhões de toneladas de CO₂ equivalente.
O levantamento destaca ainda que o etanol de cana emite entre 70% e 90% menos gases de efeito estufa do que a gasolina tradicional.
Expansão sem avanço sobre áreas de floresta
Segundo os pesquisadores, o crescimento da bioenergia pode ocorrer sem necessidade de ampliar áreas agrícolas sobre regiões de vegetação nativa.
O estudo aponta que o aumento da produtividade no campo poderia evitar o desmatamento de aproximadamente 480 mil hectares nos biomas Cerrado e Amazônia.
Para Eduardo Bastos, CEO do Instituto Equilíbrio, o Brasil reúne vantagens competitivas importantes para liderar a transição energética global, como escala produtiva e tecnologia consolidada.
“O avanço do setor mostra que é possível ampliar a produção e reduzir emissões ao mesmo tempo”, afirmou.
O estudo reforça o papel estratégico do agronegócio e da bioenergia na economia brasileira, especialmente em estados produtores como São Paulo, que concentra grande parte da produção nacional de etanol e derivados da cana de açúcar.





