Menu Modal Responsivo - Jornal VIA

Câmara tenta votar PL Antifacção em meio a impasse sobre autonomia da Polícia Federal e punições ao crime organizado

Projeto enviado pelo governo enfrenta resistência na Casa. Relatório do deputado Guilherme Derrite mantém autonomia da PF, mas propõe penas mais duras para facções criminosas.
Por Redação
11 de novembro de 2025 - 5:38 PM

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), marcou para esta terça-feira (11) a votação do Projeto de Lei Antifacção, proposto pelo governo federal para reforçar o combate ao crime organizado. O texto, porém, segue sem consenso entre base aliada e oposição e deve ser alvo de intensos debates em plenário.

O relator, deputado Guilherme Derrite (PP-SP) ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo , é criticado por parlamentares governistas por alterações consideradas polêmicas no texto original do Executivo. Antes da votação, Motta deve se reunir com líderes partidários e representantes do governo, incluindo a ministra Gleisi Hoffmann, que articula pela manutenção da proposta inicial.

A maior controvérsia envolve a autonomia da Polícia Federal (PF). A primeira versão do parecer previa que a PF só poderia atuar em conjunto com as polícias estaduais mediante solicitação dos governadores. O dispositivo foi duramente criticado pela própria corporação, que afirmou em nota oficial que a medida “compromete o interesse público” e enfraquece o enfrentamento ao crime organizado.

Após reunião com o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o presidente da Câmara, Derrite recuou e manteve a autonomia da Polícia Federal, estabelecendo apenas que suas operações deverão ser comunicadas às autoridades estaduais competentes.

📲 Não deixe de assistir nossos Podcasts no Youtube

Mesmo com o ajuste, o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (PT-RJ), afirmou que o novo texto “não muda coisa alguma” e acusou o relator de tentar “submeter a PF a interesses políticos”.

Outro ponto de impasse é a tentativa de parte da oposição de incluir no projeto a classificação de facções criminosas e milícias como organizações terroristas. A proposta foi retirada do relatório final, mas Derrite manteve a previsão de que ações armadas e de domínio territorial promovidas por facções sejam punidas com as mesmas penas aplicadas a crimes de terrorismo, de 20 a 40 anos de prisão.

O setor financeiro também manifestou preocupação com a equiparação entre facções e terrorismo, argumentando que a medida poderia afastar investimentos estrangeiros do país.

O governo considera a ampliação das penas aceitável, mas rejeita qualquer tentativa de alterar a Lei Antiterrorismo, temendo impactos diplomáticos e jurídicos.

📲 Não deixe de assistir nossos Podcasts no Youtube

O texto será debatido em reunião de líderes antes de ir ao plenário. Governistas tentarão preservar o projeto original, que prevê instrumentos legais para desarticular organizações criminosas e fortalecer a cooperação entre estados e União no combate às facções.