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Carne brasileira passa a pagar tarifa de 67% para entrar na China

Sobretaxa de 55% passa a valer após o Brasil atingir a cota anual de exportação; setor teme impactos nas vendas e busca alternativas para 2027
Por: Redação
2 de outubro de 2026 - 10:18 AM

A carne bovina brasileira passou a pagar, a partir desta quinta-feira (1º), uma tarifa total de 67% para entrar no mercado chinês. A alíquota é composta pela tarifa regular de 12% e por uma sobretaxa de 55%, aplicada após o Brasil atingir o limite anual de exportações estabelecido pela China.

O país esgotou a cota de 1,106 milhão de toneladas prevista para 2026. Com isso, todas as exportações realizadas até a abertura da nova cota estarão sujeitas à tributação maior.

China é o principal mercado da carne brasileira
A medida preocupa frigoríficos e pecuaristas porque a China é o principal destino da carne bovina produzida no Brasil.

Entre 2016 e 2025, o país exportou 8,2 milhões de toneladas de carne bovina para o mercado chinês, movimentando US$ 42,3 bilhões. Apenas em 2025, os embarques alcançaram 1,6 milhão de toneladas, demonstrando a forte dependência do setor em relação ao país asiático.

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Setor planeja antecipar embarques
Com a nova tarifa, representantes da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) estudam antecipar abates e embarques para aproveitar a cota de 2027.

No próximo ano, o limite será ampliado para 1,128 milhão de toneladas, mas o setor estima que a nova cota poderá ser totalmente utilizada já entre março e abril.

A estratégia prevê realizar abates ainda em outubro, embarcar a produção em novembro e aproveitar o tempo de transporte marítimo, de aproximadamente 40 a 45 dias, para que a carne chegue à China já dentro da nova cota.

Setor busca reduzir impactos
Segundo a Abiec, os efeitos da restrição já começaram a ser sentidos nos últimos meses, com frigoríficos reduzindo embarques para a China e buscando novos mercados para comercializar a produção.

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A entidade também discute com o governo uma possível divisão da cota anual entre os frigoríficos, com o objetivo de distribuir os embarques ao longo do ano e evitar que poucas empresas concentrem o volume disponível.

A sobretaxa faz parte da política chinesa de proteção ao mercado interno e também é aplicada a outros países exportadores de carne bovina.