Menu Modal Responsivo - Jornal VIA
🇧🇷

Quatro em cada dez brasileiros já apostaram em bets, aponta pesquisa

Levantamento mostra que 42% das mulheres já fizeram apostas online e 67% acreditam que esse tipo de jogo está prejudicando famílias brasileiras
Por: Redação
17 de agosto de 2026 - 1:44 PM

As apostas online já fazem parte da realidade de uma parcela significativa da população brasileira. Uma pesquisa divulgada nesta segunda feira (17) mostra que 42% das mulheres já apostaram ou ainda apostam em plataformas de bets.

No conjunto da população, o índice chega a 49%. O levantamento, intitulado Mulheres & Bets: O impacto da epidemia de apostas online para as brasileiras e suas famílias, também aponta preocupação crescente com os efeitos sociais e financeiros desse tipo de jogo.

Entre as mulheres entrevistadas, 67% afirmam que as bets estão “acabando com as famílias brasileiras”. Entre os homens, o percentual é de 59%.

A pesquisa foi realizada pela Clarice, estúdio de pesquisa e projetos criativos sobre mulheres e poder, em parceria com Estratégia Latina e Ideia.

📲 Acompanhe as notícias no TikTok

Maioria das mulheres apoia proibição
O estudo mostra também que 62% das mulheres defendem a proibição das apostas online no Brasil, contra 50% dos homens.

Considerando todos os entrevistados, 56% apoiam o banimento das casas de apostas.

A rejeição aparece entre eleitores de diferentes perfis políticos, indicando que a preocupação com os impactos das bets ultrapassa divisões ideológicas.

Apostas aparecem associadas a dívidas e conflitos familiares
Outro ponto de atenção está relacionado aos efeitos das apostas dentro de casa.

📲 Acompanhe as notícias no TikTok

Segundo o levantamento, 23% dos entrevistados afirmam conhecer ou ter presenciado alguma situação em que as apostas contribuíram para episódios de violência dentro da família.

A pesquisa também relaciona o crescimento das bets a situações de superendividamento, problemas de saúde mental e desestruturação familiar, com maior impacto entre famílias das classes D e E.

As pesquisadoras destacam ainda que mulheres podem ser afetadas mesmo quando não apostam diretamente, especialmente quando as perdas financeiras atingem a renda familiar.

Brasileiros apoiam medidas de controle
Entre as propostas apresentadas aos entrevistados, 45% apoiam o bloqueio do Pix para apostas feitas por beneficiários de programas sociais.

📲 Acompanhe as notícias no TikTok

Outra medida mencionada é a criação de um canal anônimo de apoio para pessoas com problemas relacionados às apostas. A proposta recebeu apoio de 33% dos entrevistados e chegou a 57% entre quem aposta com frequência.

O estudo também identificou baixo conhecimento sobre mecanismos de proteção já existentes.

Cerca de 70% dos brasileiros disseram nunca ter ouvido falar do sistema de autoexclusão, ferramenta que permite ao próprio usuário bloquear seu acesso às plataformas de apostas.

Pesquisa ouviu mais de 2 mil pessoas
A etapa quantitativa do levantamento entrevistou 2.008 homens e mulheres de todo o país, nos dias 8 e 9 de julho.

A amostra seguiu a distribuição da população brasileira com base no Censo 2022 e na Pnad 2025. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

Também foram realizadas entrevistas qualitativas entre junho e agosto com 60 pessoas, principalmente mulheres de 18 a 58 anos das classes C, D e E, nas regiões Sudeste e Nordeste.

Os dados reforçam o debate sobre os impactos econômicos e sociais das apostas online, especialmente dentro das famílias, e ampliam a discussão sobre medidas de prevenção, regulação e proteção aos usuários.