Os estudantes que sonham com uma vaga na Universidade de São Paulo (USP) precisarão se adaptar a uma série de mudanças anunciadas pela Fundação Universitária para o Vestibular (Fuvest). As alterações atingem a primeira fase, a redação e a estrutura das provas discursivas da segunda fase, representando uma das maiores reformulações do vestibular nas últimas décadas.
As mudanças serão implementadas gradualmente entre os vestibulares de 2027 e 2028 e seguem uma proposta alinhada à Base Nacional Comum Curricular (BNCC), com foco em interdisciplinaridade, interpretação e aplicação prática do conhecimento.
Primeira fase terá menos questões
A partir do Vestibular 2027, a primeira fase passará de 90 para 80 questões de múltipla escolha. Apesar da redução no número de perguntas, o tempo de prova será mantido.
Segundo especialistas, a mudança indica uma tendência de questões mais elaboradas, exigindo maior capacidade de análise, interpretação e raciocínio crítico dos candidatos.
Além disso, os conteúdos passam a ser organizados em quatro grandes áreas do conhecimento:
Linguagens e suas Tecnologias;
Matemática e suas Tecnologias;
Ciências da Natureza e suas Tecnologias;
Ciências Humanas e Sociais Aplicadas.
O novo formato aproxima a Fuvest da estrutura já utilizada pelo Enem e reforça a interdisciplinaridade entre as disciplinas.
Filosofia, Sociologia, Artes e Educação Física ganham espaço
Com a reorganização das áreas de conhecimento, disciplinas que tradicionalmente tinham menor participação no vestibular passam a ganhar mais relevância.
Filosofia e Sociologia terão presença ampliada dentro do bloco de Ciências Humanas, enquanto Artes e Educação Física passam a integrar de forma mais evidente a área de Linguagens.
A proposta busca avaliar não apenas o domínio técnico dos conteúdos, mas também a formação cultural e o pensamento crítico dos estudantes.
Redação deixa de cobrar apenas dissertação
Outra mudança importante está na redação.
O tradicional texto dissertativo argumentativo deixa de ser o único gênero cobrado pela Fuvest. A partir das novas diretrizes, os candidatos poderão ser avaliados por meio de diferentes formatos de escrita.
Entre os gêneros que poderão aparecer estão:
Carta;
Crônica;
Resenha;
Artigo de opinião;
Textos híbridos.
Além disso, os materiais de apoio também serão mais diversificados, podendo incluir gráficos, mapas, fotografias, infográficos, charges, tirinhas e memes.
A mudança pretende avaliar a capacidade do candidato de adaptar sua comunicação ao contexto, ao público e ao objetivo proposto pela banca.
Segunda fase terá menos questões discursivas
As mudanças mais profundas chegam no Vestibular 2028.
A segunda fase passará de 12 para 10 questões discursivas e deixará de ser organizada exclusivamente por disciplinas isoladas.
O novo modelo será estruturado por grandes áreas do conhecimento, agrupando os cursos conforme suas características acadêmicas.
A Fuvest definiu seis tipos de prova:
Tipo 1: Matemática e suas Tecnologias;
Tipo 2: Ciências da Natureza e suas Tecnologias;
Tipo 3: Ciências Humanas e Sociais Aplicadas;
Tipo 4: Matemática e Ciências da Natureza;
Tipo 5: Matemática e Ciências Humanas;
Tipo 6: Ciências da Natureza e Ciências Humanas.
Com isso, os estudantes poderão direcionar melhor sua preparação de acordo com a carreira escolhida.
Primeiro dia da segunda fase também muda
Outra novidade importante é a reformulação do primeiro dia da segunda fase.
A avaliação passará a reunir conteúdos da área de Linguagens e suas Tecnologias, contemplando:
Língua Portuguesa;
Literatura;
Língua Inglesa;
Artes;
Educação Física.
A redação continua presente, mas inserida em uma proposta mais ampla de avaliação das competências linguísticas e interpretativas dos candidatos.
O que muda para os estudantes?
Na prática, a Fuvest passa a valorizar menos a simples memorização de conteúdos e mais a capacidade de interpretação, argumentação, análise crítica e integração de conhecimentos.
Especialistas recomendam que os vestibulandos ampliem seus hábitos de leitura, acompanhem atualidades, pratiquem diferentes gêneros textuais e desenvolvam uma visão interdisciplinar dos conteúdos cobrados.
As mudanças também exigirão adaptação de escolas e cursinhos preparatórios, que terão de reorganizar metodologias e materiais para atender ao novo perfil de avaliação.





