A publicação de fotos e vídeos de alunos nas redes sociais por escolas é uma prática cada vez mais comum. Registros de apresentações, atividades pedagógicas, festas e eventos costumam ser compartilhados para aproximar famílias da rotina escolar e divulgar o trabalho das instituições. No entanto, especialistas alertam que a exposição de crianças no ambiente digital possui limites legais e exige cuidados específicos.
A legislação brasileira considera a imagem de crianças e adolescentes um dado pessoal protegido. Por isso, a divulgação de fotografias e vídeos por instituições de ensino depende, em regra, da autorização expressa dos pais ou responsáveis legais. Além disso, o uso dessas imagens deve respeitar o princípio do melhor interesse da criança, previsto na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Segundo especialistas em direito digital, o consentimento precisa ser livre, informado e específico. Os responsáveis devem saber exatamente como, onde e para qual finalidade as imagens serão utilizadas. A simples assinatura de um documento genérico não elimina a responsabilidade da escola sobre a proteção desses dados.
Ministério Público alerta para riscos
Diversos Ministérios Públicos estaduais têm emitido recomendações sobre a exposição de crianças nas redes sociais. Entre as preocupações estão riscos relacionados à segurança, como identificação de rotinas escolares, localização de alunos, uso indevido das imagens e até possíveis crimes praticados por terceiros.
Em alguns estados, órgãos de proteção à infância defendem que conteúdos envolvendo crianças sejam compartilhados apenas em ambientes restritos e destinados exclusivamente aos pais e responsáveis, evitando a exposição pública nas plataformas digitais.
Pais podem retirar autorização
Outro ponto importante é que a autorização para uso da imagem não é definitiva. A LGPD garante aos responsáveis o direito de revogar o consentimento a qualquer momento. Após o pedido formal, a instituição deve interromper futuras divulgações envolvendo a criança, respeitando os procedimentos previstos em lei.
Especialistas também destacam que a matrícula escolar não pode ser condicionada à autorização para divulgação de imagens. Caso isso ocorra, a prática pode ser questionada judicialmente e até analisada sob a ótica do Código de Defesa do Consumidor.
Debate ganha força no ambiente digital
Com o crescimento das redes sociais e da produção constante de conteúdo, o debate sobre a proteção da infância na internet tem ganhado destaque em todo o país. Projetos de lei e recomendações de órgãos públicos buscam estabelecer limites mais claros para a divulgação de imagens de crianças, reforçando a necessidade de equilibrar comunicação institucional e proteção dos direitos fundamentais dos menores.
Para especialistas, a prioridade deve ser garantir a segurança, a privacidade e o desenvolvimento saudável das crianças, evitando que a exposição digital se transforme em ferramenta de marketing sem a devida proteção legal.





