O aumento da temperatura nos biomas do Pantanal e da Amazônia está entre os mais intensos do país nas últimas quatro décadas, segundo levantamento divulgado nesta quarta-feira (5) pela rede MapBiomas. A análise, baseada em dados de satélite de 1985 a 2024, revela que o Pantanal é o bioma mais afetado pelo aquecimento, seguido pela Amazônia.
No caso do Pantanal, as temperaturas médias subiram de forma contínua, acompanhadas de uma drástica redução nas áreas alagadas — principal característica ecológica da região. O estudo aponta que o bioma perdeu cerca de 73% de sua superfície inundada desde 1985, resultado da combinação entre estiagens prolongadas, mudanças climáticas e avanço de atividades humanas, como o desmatamento e a pecuária extensiva.
Na Amazônia, o aumento da temperatura também vem sendo associado à intensificação de secas e queimadas, inclusive em áreas antes consideradas úmidas e estáveis. Pesquisadores alertam que a elevação térmica ameaça o equilíbrio climático global, já que a floresta desempenha papel central na regulação de chuvas e na absorção de carbono.
De acordo com o MapBiomas, o aquecimento observado nesses biomas supera a média nacional e reflete a aceleração das mudanças climáticas no território brasileiro. O levantamento reforça que a combinação entre desmatamento, queimadas e degradação do solo tem potencializado o impacto das variações térmicas, reduzindo a capacidade natural de resiliência dos ecossistemas.
Para o coordenador do MapBiomas, Tasso Azevedo, “a tendência é preocupante porque evidencia que os biomas mais biodiversos e mais importantes para o equilíbrio do clima estão também entre os mais vulneráveis”. Ele ressalta que políticas de restauração e controle do desmatamento são urgentes para evitar o colapso ambiental.
O aquecimento de biomas como o Pantanal e a Amazônia também tem reflexos indiretos em outras regiões do país. A alteração no regime de chuvas e no transporte de umidade, o chamado “rio voador” amazônico, afeta a regularidade hídrica no Sudeste, impactando a agricultura, os reservatórios e o abastecimento urbano.
Com a COP30 em andamento em Belém (PA), o estudo do MapBiomas reforça o debate sobre a urgência de ações climáticas integradas, que conciliem desenvolvimento econômico, conservação ambiental e redução de emissões de gases de efeito estufa.





