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EUA classificam PCC e Comando Vermelho como terroristas; entenda o que muda

Medida anunciada pelo governo norte-americano amplia sanções contra as facções e pode reforçar a cooperação internacional no combate ao crime organizado
Por Redação
29 de maio de 2026 - 8:06 AM

O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira (28) a classificação do PCC (Primeiro Comando da Capital) e do Comando Vermelho (CV) como “Terroristas Globais Especialmente Designados”. A decisão foi divulgada pelo Departamento de Estado norte-americano e representa um novo passo na estratégia de combate às organizações criminosas que atuam dentro e fora do Brasil.

Além da classificação já anunciada, o governo dos EUA informou que pretende enquadrar oficialmente as duas facções como Organizações Terroristas Estrangeiras a partir de 5 de junho.

Segundo o comunicado assinado pelo secretário de Estado Marco Rubio, PCC e Comando Vermelho estão entre as organizações criminosas mais violentas do Brasil e possuem atuação que ultrapassa as fronteiras nacionais.

O que muda na prática
A decisão permite que o governo norte-americano aplique uma série de restrições financeiras e jurídicas contra pessoas e empresas ligadas às organizações.

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Entre as principais medidas estão:

  • congelamento de bens e ativos sob jurisdição dos Estados Unidos;
  • proibição de transações financeiras envolvendo cidadãos e empresas norte-americanas;
  • bloqueio de envio de recursos, bens ou serviços para integrantes das facções;
  • restrições para entrada de membros dos grupos em território norte-americano;
  • possibilidade de deportação de pessoas vinculadas às organizações em determinadas situações.

Especialistas apontam que o principal impacto da medida está no fortalecimento do combate internacional à lavagem de dinheiro e ao financiamento de atividades criminosas.

Governo brasileiro tem entendimento diferente
Apesar da decisão dos Estados Unidos, o governo brasileiro mantém posição distinta sobre o tema.

De acordo com o Ministério da Justiça e Segurança Pública, PCC e Comando Vermelho não se enquadram como organizações terroristas segundo a legislação brasileira. O entendimento é que as facções atuam com objetivo de obter lucro por meio de atividades ilícitas, como tráfico de drogas e armas, e não por motivações ideológicas, religiosas ou de ódio, critérios previstos na legislação nacional para caracterização do terrorismo.

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A divergência jurídica não impede a cooperação entre os países no combate ao crime organizado, mas evidencia diferenças na forma como cada nação trata esse tipo de organização.

Decisão ocorre em meio a debate internacional
O anúncio acontece em um momento de crescente preocupação internacional com a expansão das facções brasileiras para outros países da América Latina.

Nos últimos anos, investigações apontaram a atuação do PCC e do Comando Vermelho em rotas internacionais de tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e contrabando, ampliando o alcance das organizações para além do território brasileiro.

A medida também ganhou repercussão política após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmar que solicitou ao presidente Donald Trump a classificação das facções como organizações terroristas durante encontro realizado nesta semana na Casa Branca.

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Impacto pode ir além dos Estados Unidos
Embora a decisão não altere automaticamente a legislação brasileira, especialistas avaliam que o enquadramento pode influenciar investigações internacionais e ampliar o monitoramento financeiro sobre pessoas e empresas suspeitas de ligação com as facções.

A expectativa é que a medida fortaleça mecanismos de cooperação entre agências de segurança, órgãos de inteligência e instituições financeiras em diferentes países.

Com isso, autoridades norte-americanas esperam dificultar a movimentação de recursos e enfraquecer a estrutura financeira das organizações criminosas.