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STF e urnas são principais alvos de desinformação no WhatsApp, aponta relatório da Agência Lupa

Levantamento analisou 100 mil grupos públicos entre julho de 2024 e julho de 2025 e identificou que conteúdos falsos sobre o Supremo e o sistema eleitoral dominam as redes.
Por Redação
5 de novembro de 2025 - 3:57 PM

Um relatório divulgado pela Agência Lupa nesta segunda-feira (3) mostra que o Supremo Tribunal Federal (STF) e as urnas eletrônicas foram os principais temas de desinformação disseminada em grupos públicos do WhatsApp no último ano. A pesquisa analisou conversas em 100 mil grupos entre julho de 2024 e julho de 2025 e identificou que teorias sobre fraude eleitoral e publicações que tentam desacreditar o STF dominaram os conteúdos falsos que circularam no aplicativo.

O estudo reuniu 10.351 conteúdos relacionados a desinformação, incluindo 9.163 pedidos de checagem, 468 verificações publicadas por agências de fact-checking e 720 mensagens consideradas virais pela empresa de análise de dados Palver. Essas mensagens foram extraídas de um universo de 244 mil conteúdos “encaminhados com frequência”, categoria usada pelo WhatsApp para identificar o alto volume de compartilhamentos.

De acordo com o levantamento, 57% dos conteúdos falsos verificados tratavam de política nacional, com destaque para publicações sobre o STF, eleições e ataques a instituições democráticas. As mensagens mais compartilhadas promoviam teorias de fraude nas urnas, tentavam minimizar os ataques de 8 de janeiro de 2023 e acusavam o Supremo de agir com motivações políticas. O pico de circulação dessas mensagens ocorreu durante o período eleitoral de 2024.

A pesquisa também apontou que a desinformação sobre políticas públicas e benefícios sociais foi a que mais gerou dúvidas entre os usuários. O momento de maior procura por checagens ocorreu durante a chamada “crise do Pix”, quando circulou nas redes a falsa informação de que o governo federal iria taxar transações bancárias.
Segundo Beatriz Farrugia, analista da Agência Lupa, esses temas mostram dois perfis distintos de viralização:

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“O que mais circula é sobre o STF e política, mas o que mais desperta dúvida é o que mexe com o bolso das pessoas.”

O relatório também avaliou o uso de inteligência artificial (IA) na criação de conteúdos falsos e constatou que o recurso ainda tem presença limitada: apenas 7% das desinformações analisadas utilizavam IA, em especial em golpes digitais e fraudes financeiras.

Para Luis Fakhouri, fundador da Palver e colunista da Folha de S.Paulo, o estudo mostra que mesmo fora de grupos dedicados a pornografia ou violência, conteúdos sensíveis e desinformativos continuam a se espalhar.

“Essas mensagens circulam em grupos comuns, de política, de trabalho e até de entregadores. É um cenário preocupante”, afirmou.

A pesquisa da Lupa reforça o desafio das instituições públicas e da imprensa no combate à desinformação e no fortalecimento da confiança em órgãos como o STF e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em 2023, o Supremo confirmou a validade das normas do TSE que permitem a retirada imediata de conteúdos falsos durante o processo eleitoral, medida que segue em vigor.