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Cooperativas propõem Plano Safra de R$ 674 bilhões para 2026/2027

Setor pede ampliação do crédito rural e reforço na equalização de juros para enfrentar custo financeiro elevado e ampliar acesso de produtores
Por Redação
16 de abril de 2026 - 7:51 AM

As cooperativas agropecuárias e de crédito propuseram ao governo federal um Plano Safra 2026/2027 com orçamento total de R$ 674 bilhões. A proposta será apresentada pelo Sistema OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras) e prevê aumento relevante em relação ao ciclo anterior, que contou com cerca de R$ 594 bilhões.

Ampliação do crédito rural
O objetivo central do documento é ampliar o acesso ao crédito rural em um cenário de custo financeiro elevado. Segundo o setor, o modelo tradicional tem perdido espaço, enquanto as cooperativas ganham protagonismo como principal canal de financiamento, especialmente para pequenos e médios produtores.

A divisão dos recursos sugeridos inclui:

R$ 520 bilhões para custeio e comercialização
R$ 154 bilhões para investimento e agroindustrialização
R$ 27 bilhões para equalização de juros
O texto também trata o seguro rural como prioridade, com previsão de R$ 4 bilhões em 2026 e R$ 4,5 bilhões em 2027.

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Taxas de juros propostas
As condições de financiamento variam conforme o perfil do produtor. Para o Pronaf, as taxas previstas vão de 0,5% a 6% ao ano, com limites entre R$ 400 mil e R$ 700 mil.

No Pronamp, a proposta estabelece taxa de 8% ao ano, com limite de até R$ 2 milhões para custeio e R$ 800 mil para investimentos.

Para demais produtores e cooperativas, os juros podem chegar a 11% ao ano, com limite de até R$ 6 milhões no custeio. Nas linhas de investimento, as taxas variam entre 8% e 11% ao ano, conforme o programa.

Mudanças no acesso ao crédito
O documento propõe ajustes nas regras de enquadramento para ampliar o acesso ao crédito. Entre as medidas estão:

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acesso ao Pronaf para cooperativas com pelo menos 60% de agricultores familiares
aumento do limite do Pronaf para até R$ 750 mil
elevação do limite do Pronamp para R$ 4 milhões
Segundo o setor, os valores atuais estão defasados diante da alta nos custos de produção.

Investimentos e infraestrutura
Na área de investimentos, a proposta inclui a ampliação de recursos e a inclusão de armazenagem frigorificada como item financiável.

Entre os principais programas:

PCA (armazenagem): R$ 9 bilhões, com taxa de 9% ao ano
RenovAgro: R$ 10 bilhões, com taxa de 8% ao ano
Moderfrota: R$ 17 bilhões no total, com taxa de 10% ao ano
Proirriga: R$ 3 bilhões, com taxa de 10% ao ano
Também estão previstos recursos para programas como Prodecoop e Procap Agro Giro, voltados ao fortalecimento das cooperativas.

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Papel estratégico das cooperativas
As cooperativas são apontadas como peças centrais no sistema de crédito rural. Atualmente, estão presentes como única instituição financeira em mais de 464 municípios e respondem por mais de 50% da produção de grãos no país.

O setor defende o fortalecimento dessas instituições como operadoras do Plano Safra, além da ampliação da atuação do BNDES e do incentivo a projetos coletivos.

Desafios fiscais
A proposta contrasta com a tendência observada no governo federal, que deve trabalhar com crescimento mais moderado do Plano Safra, próximo à inflação. O principal entrave é o custo da equalização de juros em um cenário de taxa Selic elevada.

Com juros mais altos, aumenta o gasto do Tesouro para subsidiar o crédito rural, o que pode limitar a expansão do programa e encarecer o financiamento.