O governo federal estuda aumentar a mistura de etanol anidro na gasolina de 30% para 32% ainda no primeiro semestre de 2026. A medida, segundo especialistas e entidades do setor, chega em um momento considerado estratégico, com o início da safra de cana de açúcar 2026 27 e expectativa de produção recorde de biocombustíveis no país.
A proposta foi confirmada pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e ocorre em meio à alta nos preços internacionais do petróleo, influenciados por tensões no Oriente Médio. Nesse cenário, o etanol ganha relevância como alternativa para conter impactos ao consumidor brasileiro.
Produção pode bater recorde histórico
Com o possível aumento da mistura, a indústria estima maior direcionamento da cana para a produção de etanol. A consultoria Safras & Mercado projeta que o chamado “mix” pode chegar a 54%, acima dos 51% registrados na safra anterior.
A produção total de etanol no Brasil pode alcançar entre 44 bilhões e 44,5 bilhões de litros, crescimento de cerca de 15% em relação ao ciclo passado. O avanço também é impulsionado pelo aumento da produção de etanol de milho.
Para o setor, o momento é considerado favorável não apenas pela safra, mas também pelo cenário de preços. O açúcar, outro produto derivado da cana, tem registrado valores mais baixos no mercado internacional, o que torna o etanol mais atrativo para as usinas.
Oferta deve acompanhar aumento da demanda
Entidades como a União da Indústria de Cana de Açúcar (Unica) e a União Nacional do Etanol de Milho (Unem) afirmam que o setor está preparado para atender à nova demanda, estimada em cerca de 2 bilhões de litros adicionais.
A produção de etanol de milho, por exemplo, deve crescer aproximadamente 2 bilhões de litros nesta safra, podendo atingir 12 bilhões de litros no total. Segundo representantes do setor, esse volume seria suficiente para suprir o aumento da mistura sem comprometer o abastecimento.
Além disso, o etanol tem papel relevante no bolso do consumidor. Dados recentes indicam que, enquanto a gasolina acompanha a alta do petróleo, o biocombustível tem mantido preços mais estáveis nas bombas.
Próximos passos
O aumento da mistura ainda depende da conclusão de estudos técnicos, previstos para os próximos 60 dias. O governo avalia os impactos regulatórios e operacionais antes de oficializar a medida.
Se confirmada, a mudança reforça o papel do Brasil como líder global em biocombustíveis e amplia o protagonismo de regiões produtoras como o interior paulista.





