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Alta dos fertilizantes com guerra pressiona custos agrícolas, mas não deve encarecer alimentos no curto prazo

Conflito no Oriente Médio eleva preços de insumos e preocupa produtores, enquanto impacto imediato no consumidor tende a vir dos combustíveis
Por Redação
3 de abril de 2026 - 12:02 PM

A escalada da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã já provoca efeitos no setor agrícola global, com destaque para a disparada no preço dos fertilizantes. Apesar disso, especialistas avaliam que o consumidor não deve sentir, por enquanto, aumento significativo nos preços dos alimentos. A principal pressão imediata vem do encarecimento dos combustíveis, especialmente o diesel.

Safra atual reduz impacto imediato

O efeito limitado no curto prazo se explica pelo calendário agrícola. Grande parte das lavouras já foi colhida ou está em fase final, como arroz, soja e as primeiras safras de milho e feijão. Isso significa que os fertilizantes utilizados já foram aplicados anteriormente, sem influência direta dos preços atuais.

Culturas como o café, que começam a ser colhidas agora, também foram plantadas no ano passado. Já as segundas safras de milho e feijão estão em desenvolvimento, com insumos adquiridos antes da alta recente.

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Dependência externa aumenta preocupação

Mesmo sem impacto imediato no consumidor, o cenário preocupa produtores. O país depende fortemente da importação de fertilizantes, com cerca de 85% do consumo vindo do exterior. Insumos como ureia, potássio e fosfatos têm alta dependência internacional.

O Oriente Médio ocupa posição estratégica nesse mercado, respondendo por parcela relevante das exportações globais de fertilizantes. Por isso, qualquer instabilidade na região afeta diretamente os preços internacionais.

Custos de produção devem subir nas próximas safras

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A tendência é de aumento generalizado nos custos agrícolas, especialmente em culturas que utilizam grandes volumes de fertilizantes. O milho, por exemplo, é altamente dependente de insumos nitrogenados e pode sofrer impacto mais imediato.

Outras culturas, como arroz e trigo, também demandam grande quantidade de nutrientes, o que pode levar produtores a reduzir áreas plantadas. Já a soja, embora menos dependente de nitrogênio, exige reposição significativa de fósforo e potássio.

A cana de açúcar também aparece entre as mais afetadas, devido ao uso intensivo de potássio, o que pode influenciar a produção de açúcar e etanol.

Impacto nos alimentos deve ocorrer no médio prazo

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O aumento no custo dos fertilizantes tende a afetar a produção ao longo do tempo. Entre os principais efeitos estão a redução da área plantada e a queda de produtividade, o que pode diminuir a oferta de alimentos.

Ainda assim, especialistas destacam que outros fatores, como o clima, têm peso decisivo. Condições favoráveis podem compensar custos elevados, enquanto eventos climáticos adversos podem pressionar preços independentemente dos insumos.

Combustíveis são fator mais imediato para inflação

No cenário atual, o diesel exerce influência mais direta sobre os preços ao consumidor. O combustível impacta tanto o uso de máquinas agrícolas quanto o transporte e a distribuição dos alimentos.

Com isso, mesmo diante da alta dos fertilizantes, o comportamento dos preços no curto prazo deve seguir mais ligado à variação dos combustíveis do que aos custos de produção agrícola.