Um monitoramento microbiológico realizado em viveiros de peixes nativos no Centro-Oeste identificou a presença da bactéria Salmonella spp. em 88% das propriedades avaliadas em Mato Grosso. O estudo foi conduzido pela Embrapa Agroindústria de Alimentos em parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso e teve resultados divulgados em 24 de março de 2026.
Apesar da ampla presença nas propriedades, o patógeno foi detectado em 31,5% das amostras coletadas, que incluíram peixes, água, sedimentos e ração. Segundo os pesquisadores, os dados não inviabilizam o consumo, mas indicam a necessidade de reforço nos protocolos de manejo e higiene na aquicultura.
Influência ambiental na contaminação
A pesquisa foi realizada em áreas dos biomas Pantanal e Cerrado e apontou que fatores ambientais influenciam diretamente a ocorrência da bactéria. A incidência foi mais elevada durante o período seco.
As análises identificaram maior concentração do patógeno nas vísceras dos peixes. Foram detectados dez sorotipos diferentes, com predominância das cepas Saintpaul e Newport. O estudo também apontou níveis moderados de resistência a alguns antimicrobianos, sem registro de cepas multirresistentes.
Pesquisadores destacam que a estrutura aberta dos viveiros facilita o contato com animais silvestres e domésticos, o que contribui para a contaminação do ambiente.
Risco ao consumidor e medidas de controle
De acordo com a Embrapa, a presença da bactéria no ambiente de produção não significa que o pescado chegará contaminado ao consumidor final.
Os especialistas afirmam que etapas como controle sanitário, processamento industrial e preparo adequado são suficientes para reduzir ou eliminar o risco de infecção.
Entre as recomendações técnicas está a retirada das vísceras e guelras ainda na etapa inicial do processamento, antes da higienização, como forma de aumentar a eficiência da descontaminação.
Orientações para consumo seguro
Especialistas orientam medidas simples para evitar contaminação por Salmonella:
Cozinhar completamente o pescado, atingindo temperatura interna superior a 70 graus Celsius.
Evitar contaminação cruzada, utilizando utensílios diferentes para alimentos crus e prontos.
Manter o produto refrigerado abaixo de 4 graus Celsius ou congelado.
Higienizar mãos e superfícies após o manuseio de peixe cru.
Produção nacional de pescado
O Brasil produziu 1.011.540 toneladas de peixes de cultivo em 2025, crescimento de aproximadamente 4,41% em relação ao ano anterior.
A tilápia lidera a produção nacional, com 707.495 toneladas, o equivalente a cerca de 70% do total. Já as espécies nativas registraram leve retração no período.
O Paraná permanece como principal estado produtor, seguido por São Paulo e Minas Gerais.
Próximos passos da pesquisa
Os pesquisadores pretendem ampliar o monitoramento para outras regiões do país com base no conceito de Saúde Única, que integra saúde humana, animal e ambiental.
O objetivo é desenvolver manuais de boas práticas para produtores, visando aumentar a segurança sanitária e a competitividade da aquicultura brasileira.





