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Guerra no Oriente Médio afeta transporte de soja brasileira e gera incerteza no comércio internacional

Navios com cerca de 660 mil toneladas de soja e farelo aguardam embarque no Brasil enquanto cresce a preocupação com segurança no Estreito de Ormuz.
Por Redação
9 de março de 2026 - 10:44 AM

A escalada do conflito no Oriente Médio já começa a provocar impactos no comércio global de grãos. Cerca de 660 mil toneladas de soja e farelo destinadas ao Irã aguardam embarque em portos brasileiros enquanto o setor marítimo avalia riscos de navegação na região do Estreito de Ormuz, uma das rotas estratégicas para o transporte mundial de petróleo e commodities.

Segundo Egon Tales, gerente de operações da Alphamar Agência Marítima, a situação envolve três grupos de embarcações: navios que já estão próximos do Golfo Pérsico, os que seguem em viagem para a região e aqueles que permanecem no Brasil aguardando carregamento.

Navios aguardam em áreas consideradas seguras
As embarcações que já se encontram próximas da área de conflito operam com cautela. Parte delas aguarda em zonas consideradas mais seguras, como regiões próximas a Omã e Arábia Saudita, enquanto outras já conseguiram atravessar o Estreito de Ormuz e seguem para descarregar a carga.

Já os navios que ainda estão em trânsito ou aguardam nos portos brasileiros mantêm o Irã como destino final, embora o setor comece a discutir alternativas logísticas caso o conflito se prolongue.

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“Existe uma conversa entre as partes envolvidas para avaliar se será viável redirecionar esses navios para portos próximos, mas até o momento não há confirmação de mudanças de destino”, explicou o especialista.

Seguro marítimo aumenta custo das operações
Outro fator que amplia as incertezas é o impacto no seguro marítimo. Em cenários de guerra, entra em vigor a chamada cláusula de risco de guerra, que eleva significativamente os custos das operações e exige nova avaliação das seguradoras antes da passagem por áreas consideradas perigosas.

Mesmo com alternativas logísticas, especialistas alertam que o redirecionamento das cargas não é simples. Descarregar em portos de países vizinhos e transportar a carga por terra ou em embarcações menores pode elevar bastante o custo da operação.

Entre as alternativas analisadas pelo setor estão portos localizados na Arábia Saudita e em Omã, que poderiam absorver parte das cargas caso o acesso ao Irã fique comprometido.

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Irã é comprador relevante de grãos brasileiros
O Irã é um importante destino para os grãos brasileiros. Dados do setor indicam que cerca de 6% das exportações brasileiras de grãos têm como destino o país.

No caso do milho, a dependência é ainda maior em determinados períodos, superando 20% das exportações brasileiras.

Se o conflito no Oriente Médio se prolongar nas próximas semanas, analistas apontam que os efeitos poderão ser mais intensos no segundo semestre, com impacto no valor do frete marítimo, nos prêmios de risco e na dinâmica global de oferta e demanda de grãos.

Reflexos para o agro brasileiro
A instabilidade geopolítica também pode gerar efeitos indiretos para o agronegócio brasileiro, como alterações nos preços internacionais das commodities agrícolas, custos logísticos mais altos e mudanças nos destinos de exportação.

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Para produtores e tradings, o cenário exige monitoramento constante das rotas marítimas e das condições de segurança na região do Golfo Pérsico.