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Emagrecimento com canetas injetáveis já responde por 30% da demanda em cirurgia plástica, diz especialista

Uso de medicamentos como Ozempic e Mounjaro acelera perda de peso, aumenta casos de flacidez e exige novos cuidados médicos antes de procedimentos estéticos
Por Redação
4 de março de 2026 - 10:20 AM

O uso de medicamentos injetáveis para emagrecimento, como Ozempic e Mounjaro, tem mudado o perfil dos pacientes que procuram consultórios de cirurgia plástica no Brasil. Segundo o cirurgião plástico Dr. Luiz Haroldo Pereira, membro e ex presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), cerca de 30% da demanda atual por procedimentos estéticos está relacionada à perda rápida de peso provocada por esses medicamentos.

De acordo com o especialista, a principal diferença está na velocidade do emagrecimento, que pode resultar em maior flacidez da pele. “Se a perda for muito rápida, vai ter uma maior flacidez. Com maior flacidez, vai ter que ter ressecção de pele em maior quantidade”, explica.

Pacientes que utilizam as chamadas “canetas emagrecedoras” frequentemente relatam perdas entre 10 e 20 quilos em pouco tempo, o que pode gerar excesso de pele mais acentuado quando comparado a processos de emagrecimento mais lentos, geralmente associados a dieta equilibrada e prática regular de exercícios físicos.

“O perfil mudou muito. Os pacientes agora têm uma flacidez maior. Quando é um emagrecimento mais lento, com exercício, é menos complicado do ponto de vista de desproteinização”, afirma o médico.

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Novo perfil de paciente
Segundo Luiz Haroldo, muitos desses pacientes anteriormente seriam candidatos à cirurgia bariátrica, mas hoje chegam ao consultório após perder peso apenas com o uso de medicamentos. Ainda assim, ele ressalta que o novo cenário exige avaliação médica criteriosa antes de qualquer procedimento cirúrgico.

Entre os principais pontos de atenção está o risco de sarcopenia, condição caracterizada pela perda de massa e força muscular. Por isso, o especialista destaca que o uso dessas medicações deve estar sempre associado à prática de atividade física e a uma ingestão adequada de proteínas.

Antes da cirurgia, exames laboratoriais são fundamentais para avaliar o estado nutricional do paciente.

“Se o paciente estiver com baixa de proteína, o cirurgião tem que impedir. Se estiver desequilibrada, você vai ter um pós operatório mais complicado, com déficit de cicatrização”, alerta.

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A deficiência proteica pode comprometer a recuperação após a cirurgia, aumentar o risco de infecções e dificultar a cicatrização dos tecidos.

Cirurgias mais procuradas após emagrecimento
De acordo com o especialista, três áreas concentram a maior procura entre pacientes que emagreceram com auxílio de medicamentos:

Cirurgia facial, devido à perda de gordura no rosto
Cirurgia de mamas, por conta da flacidez
Abdominoplastia e lipoaspiração, para remover excesso de pele e gordura abdominal
“A face perde muita gordura. A mama também fica mais flácida, o abdômen. Então a procura maior é por abdominoplastia, lipoaspiração e cirurgia plástica de face”, detalha.

Cuidados antes da anestesia
Outro ponto importante envolve o preparo para o procedimento cirúrgico. Segundo o médico, pacientes que utilizam medicamentos para emagrecimento devem suspender o uso pelo menos duas semanas antes da cirurgia.

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Isso ocorre porque esses medicamentos podem retardar o esvaziamento do estômago, aumentando o risco de complicações durante a anestesia.

“Para fazer qualquer tipo de cirurgia, eles teriam que dar pelo menos duas semanas sem uso, para que não haja problema na anestesia. O que acontece com esses produtos é que a eliminação gástrica fica mais demorada. Com retenção gástrica, o paciente pode vomitar durante a indução anestésica e ter complicações”, explica.

A retenção de conteúdo gástrico pode levar à aspiração pulmonar durante a anestesia, situação considerada grave.

Novos protocolos médicos
Para o cirurgião, o aumento desse tipo de paciente nos consultórios exige adaptação dos profissionais e protocolos mais rigorosos de avaliação.

“São pacientes diferentes chegando agora ao consultório. E com isso a gente já consegue ter uma experiência para tratar esse novo tipo de paciente”, afirma.

Segundo ele, a combinação entre emagrecimento medicamentoso e cirurgia plástica pode ser segura, desde que exista acompanhamento médico adequado, controle nutricional e planejamento cuidadoso do procedimento.