A jovem brasileira Anna Luísa Beserra ganhou reconhecimento internacional ao desenvolver um sistema capaz de transformar água de cisternas em água própria para consumo utilizando apenas energia solar. A criadora do Aqualuz foi premiada em 2019 pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) com o título de Young Champions of the Earth, iniciativa que destaca soluções inovadoras com impacto ambiental e social.
O projeto nasceu a partir da observação das dificuldades enfrentadas por famílias do semiárido nordestino. Embora muitas comunidades contem com cisternas para armazenar água da chuva, a contaminação durante o armazenamento ainda representa risco à saúde.
Como funciona o Aqualuz
O sistema utiliza um reservatório transparente no qual a água permanece exposta à radiação solar por algumas horas. A combinação de luz ultravioleta e temperatura contribui para a inativação de microrganismos presentes na água.
O equipamento foi projetado para funcionar sem energia elétrica e sem adição de cloro ou outros insumos químicos. Sensores indicam quando a água atinge condições adequadas para consumo. Segundo dados divulgados pelo projeto, o sistema tem vida útil estimada em até 20 anos e capacidade suficiente para atender o consumo diário de uma família.
Reconhecimento internacional
O prêmio concedido pelo PNUMA levou em conta critérios como inovação, viabilidade técnica e potencial de replicação em comunidades vulneráveis. O reconhecimento posicionou o Aqualuz entre iniciativas globais voltadas ao enfrentamento de desafios relacionados à água potável e saneamento.
A tecnologia já foi implementada em comunidades rurais da Bahia, Pernambuco, Ceará e Piauí, com capacitação local para instalação e acompanhamento do uso.
Impacto social
O modelo busca fortalecer a autonomia das comunidades, reduzindo riscos associados ao consumo de água contaminada e ampliando o acesso a soluções sustentáveis de baixo custo.
O caso de Anna Luísa Beserra se tornou referência em inovação social no Brasil, especialmente no contexto do semiárido, onde o acesso à água segura ainda é um desafio estrutural.





