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Tarifas de Trump sobem para 15% e ampliam insegurança no comércio exterior

Decisão ocorre após Suprema Corte dos EUA derrubar tarifaço anterior; especialistas apontam incerteza jurídica e impacto nas exportações brasileiras
Por Redação
22 de fevereiro de 2026 - 7:40 AM

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou neste sábado (21) a elevação da tarifa global de importação de 10% para 15%. A medida foi divulgada um dia após a Suprema Corte norte americana rejeitar cobranças anteriores impostas pelo governo republicano, consideradas ilegais.

A nova taxação, segundo Trump, tem efeito imediato e se baseia na Seção 122 do Trade Act de 1974, que permite a aplicação de tarifas de até 15% por um período máximo de 150 dias. Em publicação na rede Truth Social, o presidente afirmou que o aumento atinge países que, segundo ele, exploraram os Estados Unidos por décadas.

Insegurança jurídica preocupa exportadores
Para representantes da indústria brasileira, a sucessão de decisões em curto intervalo de tempo amplia a insegurança no comércio exterior.

O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos, Abimaq, José Velloso, destacou que o setor foi um dos mais afetados pelo chamado tarifaço, que chegou a impor alíquotas de 50% sobre produtos da categoria.

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Apesar de avaliar como positiva a decisão da Suprema Corte que derrubou a cobrança anterior, Velloso alertou para a instabilidade no cenário americano.

No início do dia tínhamos tarifa de 50%. Depois passou para 10% e agora está em 15%. O exportador embarca a mercadoria e ela chega aos Estados Unidos em 45 dias. Não há garantia de qual será a tarifa na chegada”, afirmou.

Segundo ele, essa volatilidade tende a inibir novas exportações para o mercado norte americano, um dos principais destinos da indústria brasileira.

Possível impacto nos preços e no Congresso
O coordenador de Relações Internacionais e Política da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, Alexandre Coelho, avalia que a decisão da Suprema Corte pode aliviar o bolso do consumidor americano, ao reduzir parte da pressão sobre os preços.

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Para o especialista, a decisão judicial também fortalece o Congresso dos Estados Unidos diante do Executivo, criando instrumentos para conter eventuais novos aumentos tarifários.

Já a analista de Internacional Fernanda Magnotta destacou que a tarifa de 15% representa a alternativa juridicamente mais viável no curto prazo para o governo Trump, mas que a decisão da Suprema Corte pode gerar uma crise institucional.

Segundo ela, a principal ferramenta do presidente para combater a desindustrialização e sustentar o discurso eleitoral sofreu um revés importante.

Oscilações tarifárias podem afetar contratos, planejamento de produção e competitividade. Em um momento de busca por estabilidade econômica, a indefinição nas regras comerciais dos Estados Unidos tende a impactar decisões estratégicas de exportadores locais.

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O governo brasileiro informou que pretende manter o diálogo diplomático com os Estados Unidos para reduzir os efeitos das novas tarifas.

A evolução do tema deve influenciar o fluxo comercial nos próximos meses e pode redefinir estratégias de exportação tanto em nível nacional quanto regional.