Os casos de câncer de pele no Brasil aumentaram mais de 1.600% em uma década, passando de 4.237 registros em 2014 para 72.728 em 2024, segundo dados divulgados pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). O crescimento expressivo reacende o debate sobre prevenção, diagnóstico precoce e ampliação de políticas públicas no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS).
De acordo com o levantamento, os diagnósticos se concentram principalmente nas regiões Sul e Sudeste, com destaque para Espírito Santo e Santa Catarina. No entanto, estados como Rondônia e Ceará também apresentaram aumento relevante no número de casos.
A pesquisa aponta ainda desigualdade no acesso à assistência especializada. Usuários do SUS enfrentam 2,6 vezes mais dificuldade para conseguir consulta com dermatologista em comparação à rede privada.
Fatores de risco e alerta médico
Especialistas associam o avanço da doença à exposição excessiva e sem proteção ao sol, ao envelhecimento da população e aos efeitos cumulativos da radiação ultravioleta ao longo da vida.
“O câncer de pele é cumulativo, e os danos solares começam na infância e se manifestam décadas depois”, afirma a dermatologista Natasha Crepaldi. Ela também destaca a intensificação da radiação ultravioleta, o uso de câmaras de bronzeamento artificial, mesmo com restrições legais, e a ausência de acompanhamento dermatológico regular como fatores que contribuem para o cenário atual.
Projeto de lei propõe distribuição de protetor solar
Diante do aumento dos casos, ganhou destaque no Congresso Nacional o Projeto de Lei nº 6.085/2025, de autoria do deputado Roberto Duarte (Republicanos-AC). A proposta prevê a inclusão de protetores solares tópicos e orais nas ações da assistência farmacêutica do SUS.
O texto estabelece distribuição gratuita para grupos de risco, como trabalhadores expostos ao sol, pessoas com histórico de câncer de pele, pacientes imunossuprimidos, crianças, idosos e indivíduos com fototipos mais claros. Também autoriza a oferta dos produtos pelo Programa Farmácia Popular, na modalidade de copagamento.
Para o presidente da Sociedade Brasileira de Direito Médico e Bioética (Anadem), Raul Canal, a medida está alinhada aos princípios do SUS e à Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer.
“Garantir acesso ao protetor solar para populações vulneráveis é uma medida de proteção à saúde coletiva, de redução de desigualdades e de racionalidade econômica”, avalia.
O avanço do projeto e a ampliação de campanhas educativas são vistos por especialistas como passos fundamentais para frear o crescimento da doença e fortalecer a prevenção no país.





