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Expira último tratado nuclear entre Estados Unidos e Rússia e reacende alerta global

Fim do acordo Novo START encerra restrições bilaterais sobre arsenais nucleares e marca ruptura no controle de armas desde a Guerra Fria
Por Redação
5 de fevereiro de 2026 - 12:02 PM

O último tratado bilateral de controle de armas nucleares entre Estados Unidos e Rússia expirou nesta quinta feira (5), encerrando formalmente as limitações impostas aos arsenais estratégicos das duas maiores potências nucleares do mundo. O Novo START deixou de valer à 0h00 GMT, o que corresponde a 21h de quarta feira (4), no horário de Brasília.

Com o fim do acordo, Moscou e Washington deixam de estar legalmente obrigados a cumprir limites verificáveis sobre o número de ogivas nucleares estratégicas implantadas, algo que não ocorria desde o fim da Guerra Fria. Especialistas classificam a expiração como uma mudança significativa no equilíbrio global de segurança.

Assinado em 2010 e estendido pela última vez em 2021, o Novo START limitava cada país a no máximo 1.550 ogivas nucleares estratégicas implantadas, além de impor restrições a mísseis balísticos intercontinentais, submarinos nucleares e bombardeiros estratégicos. O teto representava uma redução de cerca de 30% em relação ao acordo anterior, firmado em 2002.

Além dos limites numéricos, o tratado previa mecanismos de verificação, inspeções presenciais e troca regular de informações, considerados essenciais para a transparência e a previsibilidade militar entre as duas potências.

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Estados Unidos e Rússia concentram juntos mais de 80% das ogivas nucleares existentes no mundo, segundo estimativas internacionais. Com o fim do Novo START, não há atualmente nenhum acordo bilateral em vigor que restrinja legalmente esses arsenais.

O enfraquecimento dos acordos de controle de armas ocorre em meio à deterioração das relações diplomáticas entre os dois países, intensificada após a guerra na Ucrânia. Desde 2023, a Rússia já havia suspendido sua participação prática no tratado, embora ainda respeitasse, de forma informal, alguns limites.

Analistas alertam que a ausência de um marco legal pode aumentar riscos de corrida armamentista, erros de cálculo e instabilidade estratégica, especialmente em um cenário internacional marcado por tensões geopolíticas crescentes.

Apesar disso, autoridades americanas e russas afirmam que ainda mantêm canais diplomáticos abertos, embora não exista, até o momento, negociação concreta para um novo tratado que substitua o Novo START.

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O fim do acordo reacende o debate global sobre a necessidade de novos mecanismos multilaterais de controle nuclear, envolvendo outras potências atômicas, como China, França e Reino Unido, diante de um cenário considerado mais instável do que nas décadas anteriores.