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Brasil é convidado pelos EUA a integrar bloco comercial de minerais críticos

Proposta anunciada pelo governo Trump busca reduzir dependência da China e é avaliada com cautela pelo governo brasileiro
Por Redação
5 de fevereiro de 2026 - 11:16 AM

O governo dos Estados Unidos convidou o Brasil a integrar um novo bloco comercial voltado à cooperação no setor de minerais críticos. A iniciativa foi anunciada nesta quarta feira (4) pelo vice presidente norte americano JD Vance e confirmada pelo Departamento de Estado dos EUA.

Além do Brasil, outros 54 países que participaram de reuniões realizadas em Washington também receberam o convite. Representantes da embaixada brasileira nos Estados Unidos estiveram presentes nos encontros, realizados no Departamento de Estado, onde a proposta foi apresentada oficialmente.

Segundo o governo norte americano, o objetivo do novo grupo é reorganizar a cadeia global de produção de minerais críticos, atualmente concentrada de forma expressiva na China. Esses minerais são considerados estratégicos para setores como tecnologia, energia, defesa, semicondutores, veículos elétricos e sistemas de armazenamento de energia.

Horas após as reuniões, países como México, Japão e a União Europeia firmaram acordos com os Estados Unidos em formatos distintos, voltados ao fornecimento e à segurança desses insumos.

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Autoridades e empresas ocidentais avaliam que a China exerce forte influência sobre o mercado global de terras raras e outros minerais críticos, desde a mineração até o refino e a produção de bens de maior valor agregado. A concentração, segundo críticas recorrentes, ocorre por meio de subsídios estatais, expansão coordenada da oferta e práticas de precificação consideradas predatórias.

A Agência Internacional de Energia classifica esse cenário como um risco geopolítico relevante, ao permitir que Pequim influencie preços, controle o acesso de países concorrentes e determine o ritmo de avanço de tecnologias estratégicas.

Entre as propostas discutidas pelo novo bloco estão mecanismos de referência e pisos de preços para determinados minerais. A medida busca garantir previsibilidade aos investimentos, reduzir riscos de mercado e evitar a inviabilidade de projetos diante de oscilações abruptas de preços.

O modelo se inspira em acordos recentes, como o firmado entre Estados Unidos e Austrália, que adotaram contratos de longo prazo e padrões comuns para oferecer maior segurança a investidores, sem fixação artificial de preços.

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Apesar do convite, integrantes do governo brasileiro afirmam que a proposta será analisada com cautela. Entre as preocupações estão eventuais condicionantes comerciais, riscos de acordos exclusivos, impactos sobre a autonomia da política externa e a compatibilidade com outras parcerias estratégicas já mantidas pelo Brasil.

A decisão final dependerá de avaliação técnica e diplomática, considerando tanto as oportunidades econômicas quanto os reflexos geopolíticos e comerciais de uma eventual adesão.