A pentacampeã mundial de jiu jitsu Kyra Gracie publicou um vídeo nas redes sociais em que denuncia episódios de assédio presenciados e vividos ao longo de sua trajetória no esporte. O relato foi divulgado em seu canal no YouTube, em um vídeo de pouco mais de oito minutos, e repercutiu amplamente entre atletas e praticantes da modalidade.
No vídeo intitulado “Assédio no jiu jitsu: o que sempre soubemos e ninguém combateu”, Kyra afirma que decidir falar sobre o tema foi libertador e que o silêncio historicamente imposto às mulheres contribui para a continuidade dos abusos. Segundo ela, o ambiente esportivo muitas vezes desestimula denúncias e protege agressores.
A lutadora relatou um episódio ocorrido quando tinha cerca de 18 ou 19 anos, envolvendo um homem mais velho que se aproximou oferecendo patrocínio e fez comentários de cunho sexual. Kyra afirmou que, à época, preferiu se calar por medo e por entender que aquele tipo de comportamento era normalizado no meio esportivo.
De acordo com a atleta, os casos não são isolados. Ela afirmou ter testemunhado centenas de situações semelhantes ao longo da carreira e classificou o assédio como parte de uma cultura estrutural do jiu jitsu que precisa ser enfrentada. Kyra também declarou que sua posição como integrante da família Gracie pode ter reduzido sua exposição a situações ainda mais graves.
A manifestação ocorre dias após a repercussão da acusação de assédio sexual contra o lutador André Galvão, denunciado por uma ex aluna de 18 anos da academia Atos, nos Estados Unidos. A jovem relatou ter sido tocada de forma inapropriada durante treinos e registrou queixa na polícia. Galvão nega as acusações e afirma que irá recorrer à Justiça.
Ao encerrar o vídeo, Kyra reconheceu que pode ser criticada por só tornar públicas as denúncias agora, mas afirmou que o silêncio não protege as vítimas. Para ela, falar é um passo necessário para provocar mudanças e garantir um ambiente mais seguro para mulheres no esporte.





