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Gastos administrativos do governo atingem maior nível em nove anos em 2025

Despesas com água, luz, telefonia, aluguel, passagens e serviços administrativos somaram R$ 72,7 bilhões no ano passado e reduziram o espaço para investimentos e programas sociais
Por Redação
3 de fevereiro de 2026 - 8:35 AM

As despesas administrativas necessárias para manter a máquina pública em funcionamento chegaram a R$ 72,7 bilhões em 2025, o maior valor registrado desde 2016. Os dados são da Secretaria do Tesouro Nacional e foram corrigidos pela inflação para permitir a comparação ao longo do tempo. A série histórica tem início em 2011.

Classificados como custeio administrativo, esses gastos incluem despesas com água, energia elétrica, telefonia, serviços de limpeza e vigilância, combustíveis, tecnologia da informação, aluguel de imóveis e veículos, além de diárias, passagens e serviços bancários.

Durante os governos de Dilma Rousseff, entre 2011 e meados de 2016, as despesas administrativas permaneceram acima de R$ 70 bilhões por ano. Houve redução nas gestões de Michel Temer e Jair Bolsonaro, mas os gastos voltaram a crescer a partir de 2023, no terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, superando novamente esse patamar em 2025.

O avanço dessas despesas limita o orçamento federal e diminui o espaço para políticas públicas, como investimentos em infraestrutura, programas sociais, bolsas de pesquisa e recursos para universidades federais.

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Isso ocorre porque o custeio da máquina pública integra os chamados gastos livres do governo, que estão sujeitos às regras do arcabouço fiscal. Pela norma, essas despesas não podem crescer mais do que 2,5% ao ano acima da inflação. No entanto, os gastos obrigatórios, como previdência, benefícios assistenciais e salários do funcionalismo, têm crescido acima desse limite, comprimindo ainda mais o orçamento discricionário.

Segundo o Ministério do Planejamento, o governo terá R$ 129,2 bilhões em 2026 para os gastos livres dos ministérios. Como mais de R$ 70 bilhões já são consumidos pelo custeio administrativo, resta menos espaço para áreas como defesa agropecuária, bolsas do CNPq e da Capes, emissão de passaportes, fiscalização ambiental, Farmácia Popular, universidades federais e agências reguladoras.

Especialistas alertam que 2026 será um ano de fortes restrições fiscais, agravadas pelo calendário eleitoral. Para Jeferson Bittencourt, ex-secretário do Tesouro Nacional e economista-chefe do ASA, a execução das despesas discricionárias será especialmente difícil. Já Marcus Pestana, diretor-executivo da Instituição Fiscal Independente (IFI), avalia que o atual arcabouço fiscal oferece uma margem insuficiente para investimentos em um país com grandes demandas estruturais, apontando riscos à sustentabilidade das contas públicas no médio prazo.

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