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Vacina 100% brasileira contra a dengue começa a ser aplicada em Botucatu (SP)

Município integra projeto piloto do Ministério da Saúde para avaliar impacto do imunizante de dose única desenvolvido pelo Instituto Butantan na redução da transmissão da doença
Por Redação
19 de janeiro de 2026 - 8:52 AM

A vacinação contra a dengue com a primeira vacina 100% nacional e de dose única teve início neste domingo (18) em Botucatu, no interior de São Paulo. O município foi escolhido pelo Ministério da Saúde para integrar a estratégia piloto que avalia o impacto do novo imunizante, desenvolvido pelo Instituto Butantan, na redução da circulação do vírus e dos casos da doença.

A aplicação foi acompanhada pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Botucatu é a terceira cidade brasileira a participar da iniciativa, ao lado de Maranguape (CE) e Nova Lima (MG). O objetivo é produzir evidências técnicas que embasem a ampliação da vacinação para outras regiões do país.

Segundo o ministério, toda a população de 15 a 59 anos desses municípios está sendo convocada para se vacinar nas Unidades Básicas de Saúde e em pontos estratégicos definidos pelas prefeituras. A expectativa é alcançar entre 40% e 50% de cobertura vacinal.

“Se atingirmos esse patamar, além da proteção individual, a vacina pode ter impacto significativo no controle da dengue em toda a cidade”, afirmou Padilha.

O ministro também destacou a retomada do crescimento das coberturas vacinais no Brasil, especialmente entre crianças. De acordo com ele, o país encerrou 2025 com aumento da cobertura de todas as vacinas do calendário infantil, revertendo a queda registrada em anos anteriores.

A escolha de Botucatu se deve ao histórico do município em estudos de efetividade vacinal. Durante a pandemia de Covid-19, a cidade participou de pesquisas que avaliaram estratégias de vacinação em larga escala, contribuindo para decisões nacionais na área da saúde pública.

As análises do projeto piloto serão realizadas ao longo de um ano, com monitoramento da incidência da dengue e acompanhamento de possíveis eventos adversos raros. A metodologia é semelhante à utilizada anteriormente em estudos sobre a vacina contra a Covid-19.

Nesta primeira etapa, 204,1 mil doses da vacina Butantan-DV serão distribuídas entre os três municípios participantes: 80 mil para Botucatu, 60,1 mil para Maranguape e 64 mil para Nova Lima. As doses fazem parte do lote inicial de 1,3 milhão produzido pelo Instituto Butantan, com apoio do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

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Para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, segue disponível a vacina de origem japonesa, aplicada em duas doses. Inicialmente restrita a municípios prioritários, ela passou a ser ofertada em todo o país. Já a vacina do Butantan é destinada às faixas etárias de 15 a 59 anos, conforme regulamentação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A ampliação da oferta da vacina brasileira está prevista para os próximos meses. A partir de fevereiro, cerca de 1,1 milhão de doses devem ser destinadas à imunização de profissionais da Atenção Primária à Saúde, como médicos, enfermeiros e agentes comunitários. A vacinação do público em geral ocorrerá conforme a disponibilidade de doses.

Por meio de parceria de transferência de tecnologia entre o Instituto Butantan e a empresa chinesa WuXi Vaccines, a expectativa é ampliar a produção em até 30 vezes, permitindo a expansão gradual da vacinação em todo o país.

A Butantan-DV é o primeiro imunizante de dose única contra a dengue no mundo e oferece proteção contra os quatro sorotipos do vírus. Estudos clínicos indicam eficácia global de 74%, com redução de 91% dos casos graves e 100% de proteção contra hospitalizações.

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Em 2025, o Brasil registrou queda de 74% nos casos de dengue em relação ao ano anterior, passando de 6,5 milhões para 1,7 milhão de casos prováveis. O número de mortes também caiu 72%. Apesar do cenário mais favorável, o Ministério da Saúde reforça que a eliminação de criadouros do mosquito Aedes aegypti segue sendo a principal forma de combate à dengue, chikungunya e zika, com a vacinação atuando como medida complementar.

Para Piracicaba e demais municípios paulistas, a experiência em Botucatu será acompanhada de perto, já que os resultados do projeto piloto devem orientar futuras estratégias de vacinação em larga escala no estado e no país.