O governo do Irã determinou nesta quarta-feira (14) o fechamento do espaço aéreo do país para voos internacionais, permitindo apenas operações com origem ou destino à capital, Teerã. A medida ocorre em meio ao agravamento das tensões com os Estados Unidos e à intensificação dos protestos contra o regime iraniano.
Plataformas de monitoramento aéreo, como o FlightRadar24, registraram a redução drástica do tráfego sobre o território iraniano, com aeronaves alterando rotas ou retornando ao ponto de origem para evitar a região controlada por Teerã.
Segundo autoridades iranianas, a decisão foi comunicada às companhias aéreas ainda nesta quarta. Pouco antes, o governo da Alemanha havia emitido um alerta recomendando que operadores civis evitassem entrar na Região de Informação de Voo (FIR) do Irã, citando riscos decorrentes da escalada do conflito e do uso de armamentos antiaéreos.
Alguns voos comerciais chegaram a realizar manobras de retorno em pleno trajeto. Um avião da Emirates, que seguia de Seul para Dubai, alterou sua rota ao se aproximar do espaço aéreo iraniano. Situação semelhante foi registrada com uma aeronave da FlyOne, que sobrevoava o Golfo Pérsico.
A restrição ocorre enquanto líderes internacionais avaliam a instabilidade no país. O chanceler alemão, Friedrich Merz, afirmou que o regime dos aiatolás pode estar vivendo seus “últimos dias”, ao citar a repressão violenta aos manifestantes como sinal de enfraquecimento do governo liderado pelo aiatolá Ali Khamenei.
Organizações de direitos humanos apontam que o número de mortos nos protestos já ultrapassa 3.400 pessoas, a maioria manifestantes. As entidades também relatam milhares de prisões e denunciam o bloqueio da internet no país, o que dificulta a apuração independente dos casos.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a ameaçar uma possível intervenção militar e afirmou que “a ajuda está a caminho” aos manifestantes iranianos. Em resposta, o governo do Irã declarou que atacará bases militares americanas no Oriente Médio caso seja alvo de bombardeios, e já teria alertado países vizinhos sobre a possibilidade de retaliação.
Diante do cenário, companhias aéreas internacionais seguem monitorando a situação e adotando rotas alternativas, enquanto autoridades globais reforçam alertas sobre os riscos à segurança da aviação civil na região.





