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Brasil concentra um dos maiores números de refugiados venezuelanos e ocupa 4ª posição no ranking mundial

País acumula mais de 260 mil pedidos em dez anos; governo afirma que não houve aumento do fluxo em Roraima após ação dos EUA na Venezuela.
Por Redação
7 de janeiro de 2026 - 4:18 PM

O Brasil ocupa a quarta posição entre os países que mais recebem refugiados venezuelanos em todo o mundo, segundo dados de organismos internacionais e autoridades brasileiras. Em uma década, foram 262 mil pedidos de refúgio de cidadãos da Venezuela, o maior contingente de solicitantes de um único país já registrado no território nacional.

Apesar do volume expressivo, o Brasil aparece atrás da Colômbia, do Peru e dos Estados Unidos no ranking global de acolhimento. De acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), cerca de 6,5 milhões de venezuelanos vivem atualmente como refugiados ou migrantes forçados em diferentes países.

Pedidos em 2025 e concentração em Roraima

Somente em 2025, o Brasil recebeu 19.956 pedidos de refúgio de venezuelanos, dentro de um total de pouco mais de 69 mil solicitações de todas as nacionalidades, conforme dados do Observatório das Migrações Internacionais (Obmigra). O número ficou atrás apenas dos pedidos feitos por cidadãos cubanos.

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A maior parte das solicitações segue concentrada em Roraima, estado que faz fronteira com a Venezuela. Em 2025, foram registrados 33.160 pedidos de refúgio no estado, sendo 13.947 de venezuelanos.

Desaceleração do fluxo

Os dados indicam uma redução gradual no ritmo de novos pedidos nos últimos anos. A partir de 2015, com o agravamento da crise econômica e social na Venezuela, as solicitações cresceram rapidamente e atingiram o pico em 2019. Desde então, o volume vem caindo, embora os venezuelanos tenham liderado os pedidos de refúgio no Brasil até serem superados por cubanos no ano passado.

No fim de 2025, o governo federal firmou um acordo no Supremo Tribunal Federal (STF) para o repasse de R$ 115 milhões ao governo de Roraima, com o objetivo de ajudar a custear despesas relacionadas ao acolhimento de imigrantes venezuelanos.

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Monitoramento após crise internacional

Segundo o Exército Brasileiro, não houve aumento do fluxo migratório na fronteira desde a recente ação dos Estados Unidos na Venezuela, ocorrida no último sábado (5). Por esse motivo, não foi necessário ampliar o contingente militar em Pacaraima, principal ponto de entrada no país.

Mesmo assim, o Ministério da Saúde enviou equipes à região para monitorar a situação sanitária. A pasta informou que o Sistema Único de Saúde (SUS) está preparado para ampliar estrutura, equipes e insumos caso o cenário se agrave.

“Nossa equipe já está na região avaliando estruturas hospitalares e possibilidades de ampliação. Se necessário, poderemos montar hospitais de campanha ou reforçar os serviços existentes”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Articulação estadual e impactos nacionais

O governo de Roraima informou que mantém reuniões frequentes com o Exército para acompanhar a situação na fronteira. O policiamento ostensivo foi intensificado, como medida preventiva.

Em São Paulo, o prefeito Ricardo Nunes declarou acreditar que o fluxo de venezuelanos para o estado tende a diminuir, em razão do atual contexto político e judicial envolvendo o governo venezuelano.

Critérios para concessão de refúgio

No Brasil, o reconhecimento da condição de refugiado é feito pelo Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), que avalia se o solicitante deixou seu país por medo fundamentado de perseguição, conflitos armados, violência generalizada ou graves violações de direitos humanos.

O tema segue no centro do debate nacional, com reflexos diretos também em municípios do interior paulista, como Piracicaba, que recebem migrantes em busca de oportunidades de trabalho, acesso à saúde e integração social.