A aprovação do novo modelo de cobrança do IPTU em Piracicaba, confirmada nesta segunda-feira (29), caiu como um balde de água fria sobre a cidade. Um dia depois da votação na Câmara Municipal, o assunto domina as redes sociais, as conversas de rua e os encontros familiares, transformando o imposto municipal no principal motivo de apreensão entre moradores, comerciantes e empresários.
Por 14 votos favoráveis e sete contrários, os vereadores aprovaram o Projeto de Lei Complementar nº 22/2025, que atualiza a Planta Genérica de Valores e altera dispositivos do Código Tributário Municipal. A proposta segue agora para sanção do prefeito Helinho Zanatta. Embora o governo sustente que a medida corrige distorções históricas e torna a cobrança mais justa, o sentimento predominante em Piracicaba é de insegurança e temor diante dos novos valores que começarão a ser aplicados a partir de 2026.
Nas filas de supermercados, nos bairros mais afastados e também no Centro, o tema surge de forma recorrente. Em meio aos preparativos para o réveillon, muitos piracicabanos relatam preocupação com o impacto do imposto no orçamento doméstico. Há quem reveja gastos, adie compras e tente criar alguma reserva para evitar surpresas quando o carnê chegar. Para parte da população, o aumento do IPTU surge como um convidado indesejado justamente em um período tradicionalmente marcado por despesas extras.
A crítica mais frequente é que, independentemente dos ajustes feitos no texto final, o aumento aprovado terá de ser pago por alguém. E o receio é que essa conta recaia sobre trabalhadores, aposentados, pequenos comerciantes e famílias de renda mais baixa, que já enfrentam dificuldades para fechar o mês. Mesmo com a promessa de aplicação gradual ao longo de três anos, o temor é de que os reajustes comprometam despesas básicas, como alimentação, aluguel e contas essenciais.
Durante a tramitação, parlamentares da oposição alertaram para a velocidade do processo e para a dificuldade de compreensão do projeto, que reúne centenas de artigos e alterações simultâneas no IPTU, ITBI e ISS. A falta de tempo para análise aprofundada foi apontada inclusive por vereadores que não se posicionaram contra o mérito da atualização, mas questionaram a forma como o debate foi conduzido.
Na tentativa de amenizar o impacto, uma emenda apresentada pelo vereador Renan Paes foi aprovada, ampliando os descontos para contribuintes adimplentes. Pelo texto final, passam a valer desconto de 5% para pagamento em cota única, 10% para quem está em dia com exercícios anteriores e paga parcelado, e 15% para quem reúne adimplência e quitação em parcela única. Ainda assim, a percepção popular é de que os benefícios não compensam, para muitos contribuintes, os aumentos previstos.
Segundo a Prefeitura, a atualização da Planta Genérica de Valores mantém o valor venal dos imóveis, em média, em torno de 60% do valor de mercado e é exigência legal para garantir repasses federais. O Executivo também afirma que haverá aumento médio de 21,5% do IPTU, aplicado gradualmente. No entanto, a possibilidade de reajustes mais elevados em casos específicos segue sendo o ponto mais sensível e motivo de maior apreensão.





