Menu Modal Responsivo - Jornal VIA

Estudo global questiona queda da desigualdade no Brasil celebrada pelo governo Lula

World Inequality Report 2026 aponta leve alta da concentração de renda entre 2014 e 2024, enquanto nota do Ipea indica menor desigualdade em 30 anos; divergência está na metodologia e no peso dos dados da Receita
Por Redação
12 de dezembro de 2025 - 2:22 PM

O debate sobre a desigualdade no Brasil ganhou novo fôlego nesta semana após a divulgação de dois estudos com conclusões diferentes. O World Inequality Report 2026 afirma que a parcela de renda concentrada entre os mais ricos aumentou no país nos últimos anos, deixando o Brasil ligeiramente mais desigual entre 2014 e 2024.

Na direção oposta, uma nota técnica do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) aponta que 2024 registrou o menor nível de pobreza e desigualdade dentro da série histórica baseada em pesquisas domiciliares do IBGE, resultado celebrado por autoridades do governo federal.

Por que os estudos chegam a resultados diferentes
A principal divergência está na fonte de dados usada para medir a renda no topo da pirâmide.

  • Ipea: baseia a análise na Pnad (pesquisa domiciliar do IBGE), que é atualizada com frequência, mas tende a subestimar rendas altas, especialmente aquelas vindas de capital e investimentos.
  • World Inequality Report 2026: combina pesquisas domiciliares com dados tributários e outras fontes, incluindo informações de autoridades fiscais, buscando corrigir a subestimação dos mais ricos.
    O próprio Ipea reconhece limitações desse recorte e aponta que a concentração de renda no topo aparece maior quando se observam dados tributários.

O que o relatório internacional indica sobre o Brasil
Segundo os números citados na reportagem baseada no relatório, a fatia da renda nacional dos 10% mais ricos variou na década e, em 2024, permaneceu acima do patamar observado em 2014. Já a participação dos 50% mais pobres caiu durante a pandemia e depois teve recuperação parcial.

📲 Siga nossa página no Instagram!

O que muda no dia a dia e o reflexo em Piracicaba
Mesmo quando há melhora em renda e redução de pobreza, especialistas lembram que a desigualdade pode seguir alta se o crescimento dos ganhos no topo for mais rápido. Para cidades como Piracicaba, o tema aparece na prática em pressões sobre emprego, custo de vida, acesso a moradia, transporte e serviços públicos, além da demanda por políticas de assistência e inclusão produtiva.

O consenso entre os estudos é que programas de transferência de renda e mercado de trabalho aquecido influenciam diretamente os indicadores sociais, mas a fotografia completa depende de como se mede a renda dos mais ricos.