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EUA apreendem petroleiro com petróleo venezuelano em nova escalada de pressão contra Maduro

Ação militar na costa da Venezuela envolve Guarda Costeira e forças especiais dos Estados Unidos; governo venezuelano acusa Washington de pirataria internacional.
Por Redação
12 de dezembro de 2025 - 10:04 AM

Os Estados Unidos apreenderam um navio petroleiro carregado com petróleo bruto próximo à costa da Venezuela, em mais um capítulo da escalada de tensão entre os dois países. A operação, confirmada pelo governo americano, faz parte da campanha de pressão do presidente Donald Trump contra o governo de Nicolás Maduro.

Imagens divulgadas por autoridades dos EUA mostram helicópteros sobrevoando a embarcação enquanto militares armados descem por cordas até o convés do navio. Segundo Washington, o petroleiro integraria uma rede ilícita de transporte de petróleo venezuelano e iraniano, usada para financiar organizações classificadas como terroristas pelos Estados Unidos.

O chanceler da Venezuela, Yvan Gil, reagiu duramente e classificou a ação como “pirataria internacional”, acusando o governo Trump de buscar o controle dos recursos energéticos do país sul americano.

Como foi a operação

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O próprio presidente Donald Trump comentou a apreensão em entrevista na Casa Branca, afirmando que se trata do maior petroleiro já confiscado pelos Estados Unidos. A procuradora geral Pam Bondi informou que a operação contou com a atuação da Guarda Costeira, do FBI, do Departamento de Segurança Interna e do Pentágono.

Embora a localização exata não tenha sido divulgada, autoridades americanas indicaram que o navio havia acabado de deixar um porto venezuelano. A abordagem envolveu helicópteros, fuzileiros navais, agentes da Guarda Costeira e forças de operações especiais, incluindo uma unidade de elite treinada para ações de alto risco no mar.

Especialistas em direito militar ouvidos pela imprensa internacional apontam que a justificativa legal da apreensão não foi totalmente esclarecida, mas indicam que a ação estaria ligada ao descumprimento de sanções impostas à Venezuela e ao Irã.

O navio apreendido

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A embarcação foi identificada pela empresa de análise marítima Vanguard Tech como o petroleiro Skipper. Segundo a companhia, o navio vinha falsificando sua posição por meio de sistemas de rastreamento e integrava a chamada “frota sombria”, usada para burlar sanções internacionais.

Relatórios indicam que o Skipper saiu do porto venezuelano de José no início de dezembro transportando cerca de 1,8 milhão de barris de petróleo bruto pesado. Parte da carga, aproximadamente 200 mil barris, teria sido transferida para outra embarcação antes da apreensão.

O Departamento do Tesouro dos EUA já havia sancionado o navio em 2022, sob a acusação de envolvimento em contrabando de petróleo que beneficiaria o Hezbollah, no Líbano, e a Força Quds, do Irã. Apesar de constar em sistemas internacionais como registrado sob bandeira da Guiana, o governo guianense afirmou que o navio não possui registro no país.

Destino do petróleo e reação internacional

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Questionado sobre o destino da carga apreendida, Trump afirmou que os Estados Unidos devem ficar com o petróleo. Considerando o valor de mercado do barril, a carga pode ultrapassar US$ 90 milhões, embora o volume exato ainda não tenha sido confirmado.

O presidente Nicolás Maduro acusou os EUA de utilizarem o reforço militar no Caribe e o discurso de combate ao narcotráfico como pretexto para desestabilizar seu governo. Washington nega e afirma que a ação integra um esforço mais amplo de combate ao tráfico de drogas, ao financiamento de grupos criminosos e à imigração ilegal.

A Venezuela possui as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, mas enfrenta dificuldades para explorar e exportar o recurso devido à infraestrutura envelhecida e às sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos.

Pressão militar crescente

Nos últimos meses, os EUA ampliaram sua presença militar no Caribe, com o envio de cerca de 15 mil soldados, porta aviões, destróieres e navios de assalto anfíbio, incluindo o USS Gerald Ford, de onde partiram os helicópteros usados na operação.

Analistas avaliam que a apreensão do petroleiro envia um sinal claro de endurecimento da política americana em relação à Venezuela e pode indicar novas ações no futuro, aumentando a instabilidade geopolítica na região.