O Senado do México aprovou o projeto que aumenta tarifas de importação para uma lista de países que inclui o Brasil. As novas taxas passam a valer em 1º de janeiro de 2026, após publicação pela presidente Claudia Sheinbaum. A votação ocorreu na noite de quarta-feira e reuniu 76 votos favoráveis e cinco contrários.
A medida, inicialmente tratada como direcionada a produtos asiáticos, atinge países como China, Índia, Coreia do Sul, Indonésia, Rússia, Turquia, Taiwan, África do Sul e também o Brasil. Ao todo, 1.463 categorias tarifárias serão impactadas em setores como automotivo, têxtil, vestuário, eletrodomésticos, plásticos e calçados.
As sobretaxas variam entre 5% e 50%, com predominância de valores entre 20% e 35%. Os setores mais afetados são os ligados à indústria chinesa, especialmente o automotivo, que terá tarifas de até 50%.
O governo mexicano afirma que a proposta integra uma estratégia para fortalecer a indústria nacional e reduzir a dependência de importações. O texto foi apresentado em meio à pressão dos Estados Unidos, que continuam impondo tarifas sobre aço e alumínio produzidos no México. A expectativa é que o novo pacote ajude a aliviar tensões comerciais com o governo americano.
A votação ocorreu às vésperas da renegociação do Tratado de Livre Comércio da América do Norte, o T-MEC, envolvendo México, Estados Unidos e Canadá. Parlamentares da oposição questionaram se as medidas atendem a uma estratégia nacional ou se são resposta direta às demandas de Washington.
A China já criticou publicamente o aumento das tarifas e afirma que considerará medidas de retaliação. Associações empresariais mexicanas demonstraram preocupação com possíveis impactos sobre a inflação e com o tempo necessário para desenvolver cadeias de suprimentos internas capazes de substituir a importação.
A proposta também concede ao Ministério da Economia o poder de ajustar tarifas sempre que considerar necessário, ampliando a capacidade de intervenção do governo na política comercial.





