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Macron pressiona Xi Jinping por avanços na paz na Ucrânia durante visita oficial à China

Presidente francês busca apoio de Pequim no conflito ucraniano, tenta reduzir déficit comercial e reforça diálogo estratégico com o governo chinês
Por Redação
4 de dezembro de 2025 - 1:28 PM

Durante sua visita de Estado à China, o presidente francês Emmanuel Macron pediu ao líder Xi Jinping que Pequim assuma um papel mais ativo nos esforços para encerrar a guerra na Ucrânia. A viagem, marcada por discussões geopolíticas e econômicas, também teve como foco reduzir o desequilíbrio comercial entre os dois países e ampliar a cooperação em setores estratégicos.

A União Europeia tem insistido para que a China utilize sua influência diplomática sobre Moscou, enquanto Pequim tenta se reposicionar diante das tensões comerciais com os Estados Unidos e das tarifas impostas pelo governo Trump.

Macron, que levou uma ampla delegação empresarial à China, reforçou que os atuais desequilíbrios comerciais são insustentáveis.
“Essas assimetrias representam riscos graves à estabilidade econômica global. Precisamos de regras mais justas, e não de uma competição baseada na sobrevivência do mais forte”, afirmou o presidente francês durante encontro no Grande Salão do Povo, em Pequim.

Xi Jinping respondeu destacando que China e França devem manter trajetórias geopolíticas independentes, ressaltando a necessidade de visão estratégica diante das mudanças no cenário internacional.

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Apesar da grande comitiva empresarial, nenhum acordo comercial de grande impacto foi firmado. Conversas sobre um pacote de aeronaves da Airbus continuam em andamento, mas analistas não esperavam o anúncio imediato de um megacontrato de 500 jatos que poderia enfraquecer a posição chinesa nas negociações com os EUA, que pressionam por compras adicionais da Boeing.

Guerra na Ucrânia volta ao centro da diplomacia

Macron voltou a cobrar que Pequim pressione Moscou a interromper os ataques à Ucrânia.
“Esperamos que a China se some aos esforços internacionais para alcançar um cessar-fogo o mais breve possível, especialmente com a chegada do inverno”, declarou.

Pequim, contudo, reafirmou sua posição de apoio à Rússia e se colocou como defensora de uma solução negociada, embora sem sinalizar pressões diretas sobre o governo de Vladimir Putin.

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Agenda em Sichuan e gesto diplomático raro

Na sexta-feira (5), Xi acompanhará Macron em uma visita à província de Sichuan um gesto incomum, já que o líder chinês raramente acompanha chefes de Estado fora de Pequim. Macron já havia adotado postura semelhante ao receber Xi na França, visitando regiões fora de Paris.

Comércio e tensões europeias

Apesar da cordialidade, temas sensíveis continuam travando avanços. A França teme prejuízos à sua indústria com a entrada massiva de produtos chineses subsidiados, especialmente veículos elétricos.

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Além disso, a China não sinalizou flexibilizar tarifas sobre carne suína europeia nem rever preços mínimos de bebidas como o conhaque francês medidas vistas como respostas a decisões da UE de impor tarifas sobre automóveis chineses.

Cooperação e novos acordos

Mesmo sem grandes anúncios econômicos, França e China assinaram 12 acordos em áreas como:

  • envelhecimento populacional
  • energia nuclear
  • biofarmacêutica
  • conservação de pandas
  • tecnologia e inteligência artificial

Pequim também reafirmou apoio à reconstrução de Gaza e anunciou ajuda adicional de US$ 100 milhões aos palestinos.

Déficit crescente e desafios futuros

O déficit comercial francês com a China segue aumentando, refletindo a expansão das importações chinesas, especialmente via plataformas online como Shein, favorecidas pela isenção de tarifas para compras abaixo de €150.

Macron destacou que a Europa precisa garantir cadeias de abastecimento estáveis, especialmente após novas restrições chinesas sobre exportação de minerais essenciais usados na indústria automotiva, de energia limpa e semicondutores.