A medida, adotada nesta terça-feira (02/12), faz parte de uma reavaliação geral promovida pela gestão Donald Trump sobre processos migratórios considerados “sensíveis”, segundo documento interno obtido pela CBS.
Com a decisão, todos os casos pendentes passam a aguardar uma “revisão completa”, que irá verificar supostos riscos à segurança nacional, motivos de inadmissibilidade e demais critérios de elegibilidade. Na prática, a suspensão atinge todos os tipos de formulários, impede decisões de aprovação ou negativa e paralisa também cerimônias de juramento para novos cidadãos.
Países atingidos pela suspensão
Além de Venezuela, Cuba e Haiti, a nova diretriz impacta cidadãos de:
Afeganistão, Burundi, Chade, Eritreia, Guiné Equatorial, Irã, Laos, Líbia, Mianmar, República do Congo, Somália, Sudão, Iêmen, Serra Leoa, Togo e Turcomenistão.
A decisão ocorre semanas após um ataque armado em Washington, que deixou um membro da Guarda Nacional morto e outro ferido. O suspeito, Rahmanullah Lakanwal afegão que havia recebido visto especial por colaboração com tropas americanas reforçou o tom de preocupação do governo, segundo fontes citadas pela imprensa.
Processos paralisados e entrevistas canceladas
Advogados relataram que imigrantes venezuelanos, iranianos e afegãos tiveram entrevistas de cidadania desmarcadas nos últimos dias. O porta-voz do Serviço de Cidadania e Imigração, Matthew Tragesser, confirmou ao New York Times que as suspensões já estão em vigor.
Segundo ele, a política reflete a diretriz da Casa Branca de considerar a cidadania “um privilégio, não um direito”.
A medida amplia ações já adotadas pelo governo Trump em 2025, quando pedidos de asilo e revisões de green cards desses mesmos países começaram a passar por triagens reforçadas.
Declarações de Trump e tensão com grupos imigrantes
Trump, que vem intensificando o discurso contra imigrantes desde que reassumiu a presidência, afirmou em reunião de gabinete que não deseja a permanência de cidadãos da Somália nos EUA.
Segundo ele, somalis deveriam “retornar ao seu país de origem” e que os Estados Unidos “iriam pelo caminho errado” caso continuem recebendo esse grupo.
As declarações coincidem com relatos de que autoridades federais planejam uma operação de deportação na comunidade somali de Minnesota — a maior do país. Líderes locais alertaram que a ação pode afetar até americanos natos que, por características físicas, possam ser confundidos com imigrantes do leste africano.
Ao final da reunião, transmitida ao vivo, Trump manteve o tom duro:
“Eu não os quero em nosso país… politicamente correto ou não, não me importa.”





