A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira (13) o ex-presidente do Instituto Nacional do Seguro Social, Alessandro Stefanutto, durante a quarta fase da Operação Sem Desconto, que investiga um estruturado esquema de descontos irregulares aplicados a aposentados e pensionistas. A ação mobilizou equipes em diferentes regiões do país e incluiu mandados de prisão e de busca e apreensão.
As apurações indicam que beneficiários eram vinculados, sem autorização, a associações que anunciavam oferecer assistência jurídica e benefícios comerciais, mas que não possuíam capacidade operacional. A prática permitia que mensalidades fossem descontadas automaticamente dos pagamentos previdenciários. A fraude teria sido executada com inserção de dados falsos nos sistemas oficiais, o que possibilitou a continuidade das cobranças ao longo de vários anos.
Segundo a PF, a operação desta quinta-feira envolveu o cumprimento de 63 mandados de busca e outras medidas cautelares no Distrito Federal e em 14 estados, entre eles Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe e Tocantins. Os investigados respondem por suspeitas de inserção de dados falsos, organização criminosa, estelionato previdenciário, corrupção ativa e passiva, além de ocultação e dilapidação patrimonial.
Stefanutto, que havia sido afastado e posteriormente exonerado após as primeiras fases da operação, agora responde preso à nova etapa do inquérito. A defesa afirma não ter tido acesso à decisão que determinou a prisão, considera a medida ilegal e sustenta que o ex-presidente colaborou com as investigações desde o início. Outros ex-gestores, empresários e dirigentes de entidades investigadas também foram detidos ou submetidos a medidas restritivas.
O governo federal mantém ativo o programa de restituição dos valores descontados sem autorização. Com a prorrogação anunciada, beneficiários poderão contestar cobranças e solicitar a devolução até fevereiro de 2026 pelos canais oficiais. Milhões de segurados já relataram descontos que dizem não reconhecer, e parte significativa deles está apta a receber os reembolsos.
A Operação Sem Desconto segue em andamento, e novas ações poderão ocorrer conforme o avanço da análise de dados e documentos apreendidos pela Polícia Federal.





