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Inflação desacelera para 0,09% em outubro e registra menor taxa para o mês desde 1998

IPCA recua após alta da energia elétrica em setembro e acumula 4,68% em 12 meses. Resultado reforça expectativa de estabilidade dos preços e manutenção da Selic até 2025.
Por Redação
11 de novembro de 2025 - 6:29 PM

A inflação oficial do país, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), desacelerou para 0,09% em outubro, após registrar 0,48% em setembro, segundo dados divulgados nesta terça-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É o menor resultado para o mês em 27 anos, desde outubro de 1998, quando o índice foi de 0,02%.

No acumulado de 12 meses, o IPCA passou de 5,17% para 4,68%, menor nível desde janeiro de 2025. O dado veio abaixo das projeções de mercado, que previam alta de até 0,23%. Apesar da desaceleração, o índice ainda supera o teto da meta de inflação do Banco Central (4,5%).

O principal fator de queda em outubro foi a redução nas tarifas de energia elétrica (-2,39%), que sozinha retirou 0,10 ponto percentual do índice. Segundo o IBGE, se esse item fosse desconsiderado, o IPCA teria subido 0,20%.

O grupo habitação registrou queda de 0,30%, acompanhado por artigos de residência (-0,34%) e comunicação (-0,16%). Economistas destacam que a estabilização do dólar também ajudou a conter os preços de bens industriais, reduzindo a pressão inflacionária.

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O grupo alimentação e bebidas interrompeu uma sequência de quatro meses de recuo, com leve alta de 0,01%. A alimentação fora de casa subiu 0,46%, enquanto os alimentos consumidos no domicílio caíram 0,16%.

Entre os destaques, o arroz (-2,49%) e o leite longa vida (-1,88%) recuaram, enquanto a batata-inglesa (8,56%) e o óleo de soja (4,64%) tiveram aumentos expressivos.

De acordo com Fernando Gonçalves, gerente da pesquisa do IPCA, a “safra mais abundante” de grãos e hortaliças ajudou a aliviar os preços no primeiro semestre, mas a tendência é de reacomodação gradual até o fim do ano.

Com a inflação mais controlada, o Banco Central reforçou que a taxa básica de juros (Selic), mantida em 15% ao ano, deverá permanecer estável até 2025. O Comitê de Política Monetária (Copom) avalia que a política atual é suficiente para trazer o IPCA ao centro da meta de 3% nos próximos meses.

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Especialistas projetam inflação de 4,55% até o fim de 2025, dentro do intervalo de tolerância da nova meta contínua do BC, que considera o descumprimento apenas quando o índice permanece fora da faixa (1,5% a 4,5%) por seis meses seguidos.

Entre as 16 capitais e regiões pesquisadas, Vitória (5,39%) registrou a maior inflação acumulada em 12 meses, seguida de São Paulo (5,17%) e Aracaju (5,17%). As menores taxas foram observadas em Campo Grande (3,83%), Rio de Janeiro (3,89%) e Rio Branco (4,01%).